Um menino que virou símbolo antes de virar gente
Pedro de Alcântara nasceu no Rio de Janeiro em dezembro de 1825, filho do imperador Pedro I e da imperatriz Leopoldina. Não completou nem um ano de vida quando a mãe morreu, em 1826, deixando ele e as irmãs sob os cuidados de amas e preceptores no Paço de São Cristóvão. O pai foi se tornando uma figura cada vez mais distante.
Em 1831, pressionado por uma crise política, Pedro I abdicou em favor do filho de cinco anos e voltou pra Portugal, onde morreria poucos anos depois. Pedro II cresceu órfão na prática, mesmo com o pai vivo: cercado de adultos que respondiam por ele, mas sem mãe nem pai por perto pra acompanhar o crescimento de um jeito comum.
O tutor mais marcante desse período foi o rígido José Inácio Ramalho, conhecido como Mello Matos, que impôs ao menino uma rotina de estudo digna de internato: horário fixo pra tudo, aula de manhã à noite, línguas, ciências, religião. José Murilo mostra que essa disciplina explica boa parte do adulto que Pedro II se tornaria: metódico, estudioso, pouco à vontade com afeto solto.
