15 minutos
Capa do resumo de D. Pedro II: Ser ou Não Ser

História · 15 min

D. Pedro II: Ser ou Não Ser

José Murilo de Carvalho · 2007

Para quem é

Pra quem quer entender o Brasil monárquico através de um homem só, um imperador que passou a vida inteira dividido entre o papel que herdou e a vocação de estudioso que preferia. Ideal pra quem gosta de história contada como biografia, sem estatística pesada.

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3 ideias pra levar

1

Pedro II passou a vida inteira dividido entre o cargo que herdou e a vontade de ser só um estudioso com tempo livre pra pesquisa.

2

Para o autor, Pedro II detestar a escravidão na consciência não foi o mesmo que usar o poder que tinha pra acabar com ela mais rápido.

3

Retratar um imperador como sábio e cauteloso pode, sem querer, suavizar a responsabilidade dele por manter a escravidão de pé por tanto tempo.

“
Um adolescente de catorze anos virou imperador porque adultos apressados precisavam de um símbolo, não porque ele estivesse pronto pra governar.
Uma ideia de D. Pedro II: Ser ou Não Ser, nas palavras do 15 minutos

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Um menino que virou símbolo antes de virar gente

Pedro de Alcântara nasceu no Rio de Janeiro em dezembro de 1825, filho do imperador Pedro I e da imperatriz Leopoldina. Não completou nem um ano de vida quando a mãe morreu, em 1826, deixando ele e as irmãs sob os cuidados de amas e preceptores no Paço de São Cristóvão. O pai foi se tornando uma figura cada vez mais distante.

Em 1831, pressionado por uma crise política, Pedro I abdicou em favor do filho de cinco anos e voltou pra Portugal, onde morreria poucos anos depois. Pedro II cresceu órfão na prática, mesmo com o pai vivo: cercado de adultos que respondiam por ele, mas sem mãe nem pai por perto pra acompanhar o crescimento de um jeito comum.

O tutor mais marcante desse período foi o rígido José Inácio Ramalho, conhecido como Mello Matos, que impôs ao menino uma rotina de estudo digna de internato: horário fixo pra tudo, aula de manhã à noite, línguas, ciências, religião. José Murilo mostra que essa disciplina explica boa parte do adulto que Pedro II se tornaria: metódico, estudioso, pouco à vontade com afeto solto.

Um adolescente vestido de imperador: a maioridade antecipada

Durante a regência que administrou o país entre 1831 e 1840, o Brasil viveu anos de instabilidade: revolta provincial, disputa entre partido, medo de que a monarquia desmoronasse antes de o herdeiro crescer. Parte da elite política concluiu que a saída era simples: apressar a maioridade do menino-imperador.

Em vez de esperar Pedro II completar dezoito anos, como previa a lei, um grupo de políticos articulou a antecipação pra quando ele tinha só catorze. Em julho de 1840 ele foi declarado maior e assumiu o trono num Brasil que mal o conhecia, mas que precisava dele como símbolo de unidade mais do que como governante de fato.

José Murilo destaca o peso simbólico disso: um adolescente que ainda estava em plena formação passou a assinar decreto, nomear ministro e representar o país diante de outras nações. A infância acabou de um jeito abrupto, decidido por adultos com pressa, não pelo próprio Pedro II.

Ser ou não ser: o imperador que sonhava em ser professor

O título do livro brinca com a fala mais famosa de Hamlet pra descrever uma tensão que atravessou a vida inteira de Pedro II: ser imperador, papel que ele nunca escolheu, ou ser o que realmente queria, um homem de estudo, quase um professor com tempo livre pra pesquisa. Essa disputa interna nunca se resolveu de verdade.

Ele aprendeu, ao longo da vida, uma quantidade impressionante de idiomas: além de português, falava francês, inglês, alemão, italiano; lia latim, grego, hebraico, e chegou a estudar sânscrito e árabe. Trocava carta com cientista estrangeiro e se interessava por astronomia, geologia, arqueologia egípcia, tudo isso enquanto despachava assunto de Estado.

Esse gosto por saber não era só hobby de gente rica: José Murilo argumenta que era, também, um jeito de fugir da parte do cargo que Pedro II menos gostava, a pompa, a cerimônia, o teatro da corte. Quando podia escolher, ele preferia visitar biblioteca e laboratório a desfilar em festa oficial.

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Sobre José Murilo de Carvalho

José Murilo de Carvalho (1939-2023) foi historiador e cientista político brasileiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Letras. Ficou conhecido por estudos sobre a formação política do Brasil, como Os Bestializados e A Formação das Almas. D. Pedro II: Ser ou Não Ser saiu em 2007 pela Companhia das Letras, na coleção Perfis Brasileiros, dedicada a biografias curtas de figuras históricas do país.