A casa de dois quartos no andar de cima
Michelle cresceu no lado sul de Chicago, num apartamento pequeno, no andar de cima da casa de uma tia-avó. Eram quatro pessoas, pai, mãe, ela e o irmão Craig, dividindo espaço apertado e ouvindo lá de baixo o piano da tia, que dava aulas pra vizinhança.
O livro mostra uma infância sem luxo e com muita presença. A mãe ensinou a ler cedo, cobrava respostas completas e não aceitava desculpa fácil. O jantar em família era um compromisso, e cada criança podia opinar. Era uma educação que valorizava a voz de cada um, mesmo pequeno.
É o mesmo valor que muita família brasileira cultiva em casa apertada na periferia: o que falta de metro quadrado se compensa em atenção. Atenção, porém, não paga conta, e o livro não romantiza a falta de dinheiro.
Uma ideia que atravessa a infância no livro é a de que a mãe queria filhos que se virassem sozinhos, e não crianças que dependessem dela pra tudo. Parece duro, mas formou uma menina que aprendeu cedo a pedir ajuda quando precisava e a entender que errar faz parte do aprendizado.
