15 minutos
Capa do resumo de A Invenção da Natureza

Biografias e memórias · 15 min

A Invenção da Natureza

Andrea Wulf · 2015

Para quem é

Pra quem gosta de aventura, ciência e história de vida e quer conhecer o explorador que viu a natureza como uma teia viva muito antes de a palavra ecologia existir. Também serve a quem se pergunta de onde vêm as ideias sobre floresta, clima e equilíbrio ambiental que hoje parecem óbvias.

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3 ideias pra levar

1

Medir com rigor e ainda assim se deixar maravilhar é uma combinação rara que dá ao conhecimento graça e fôlego.

2

Um desenho que reúne altitude, clima e vegetação numa só página pode mudar a forma como uma época enxerga o mundo vivo.

3

Os relatos de um viajante podem dar a um povo inteiro a sensação de que a sua terra tem valor, e isso pesa em movimentos políticos.

“
Perguntar aos moradores como pegar uma enguia elétrica rendeu mais que qualquer manual europeu: saber local também é ciência.
Uma ideia de A Invenção da Natureza, nas palavras do 15 minutos

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Um homem quase esquecido, e por que ele importa

O livro começa com um paradoxo. Alexander von Humboldt, nascido na Prússia em 1769, foi no século 19 um dos homens mais famosos do mundo, comparado a Napoleão em fama, e hoje a maior parte das pessoas mal sabe quem ele foi. Em 1869, no centenário do seu nascimento, cidades do mundo inteiro fizeram festas e desfiles em sua homenagem, de Nova York a Berlim.

Wulf afirma que Humboldt é esquecido porque as ideias dele foram absorvidas pela cultura a ponto de parecerem senso comum. A noção de que a natureza é uma rede de relações em que tudo se conecta, de que desmatar afeta o clima, de que ecossistemas são sistemas, vem em boa parte dele. Também pesou a rejeição a tudo que era alemão depois das guerras mundiais.

A tese do livro é que ele foi o inventor da maneira como pensamos a natureza hoje, e que reaprender essa história ajuda a entender de onde vêm as nossas preocupações ambientais.

A infância solitária e o chamado da aventura

Humboldt cresceu numa família rica, em castelos da Prússia, com um irmão mais velho, Wilhelm, que também ficaria famoso como filósofo e reformador da educação. A mãe era fria e distante, e o pai morreu cedo. O menino cresceu solitário, passando horas na natureza, colecionando plantas e insetos, e sonhando em ir pra longe.

Foi educado por tutores e treinado pra ser burocrata, uma carreira que não o satisfazia. Estudou mineração, economia e ciências naturais e trabalhou como inspetor de minas, onde se destacou, inventando lâmpadas de segurança e escolas pra mineiros. Mesmo assim, sentia que aquela rotina era uma jaula.

Quando a mãe morreu, em 1796, deixou herança suficiente pra ele financiar suas próprias expedições. Pra alguém que passou a juventude sonhando com viagens, a liberdade tinha chegado, e ele foi atrás dela com pressa.

A partida pra América do Sul

Depois de muito tentar, Humboldt obteve em 1799 permissão do rei da Espanha pra explorar as colônias espanholas na América. Era um privilégio raro, porque a Espanha controlava severamente o acesso de estrangeiros. Ele partiu de um porto da Galícia com o botânico francês Aimé Bonpland, que seria seu parceiro por anos, e com uma bagagem enorme de instrumentos científicos.

Levavam barômetros, termômetros, sextantes, cronômetros, magnetômetros e dezenas de outros aparelhos, todos usados pra medir cada detalhe do lugar: altitude, temperatura, umidade, magnetismo, composição do ar e coordenadas. Humboldt acreditava que a natureza só podia ser entendida com medições cuidadosas.

A viagem começou com um desvio inesperado. Em vez de seguir pra um destino planejado, o navio levou os dois a Cumaná, na Venezuela, onde começaram a anotar tudo que viam, de macacos a vulcões. Foi o início de cinco anos que mudariam a ciência.

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Sobre Andrea Wulf

Andrea Wulf é uma historiadora e escritora nascida na Índia em 1967, criada na Alemanha e radicada em Londres. Escreve sobre história da ciência, da natureza e de jardins. A Invenção da Natureza, de 2015, ganhou o Costa Biography Award e o prêmio de livro de ciência da Royal Society. Antes dele, publicou livros sobre jardins e sobre a corrida pra observar o trânsito de Vênus.

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