Um livro de memórias escrito com elementos químicos
Primo Levi era químico de formação e escritor por necessidade. Em A Tabela Periódica, de 1975, ele reúne vinte e um textos curtos, cada um batizado com o nome de um elemento químico. Alguns são memórias do autor, outros são histórias inventadas, e um deles acompanha a viagem de um átomo de carbono.
A ideia é bonita: usar a química como fio para contar a vida. Cada elemento serve de pretexto para falar de uma época, de uma pessoa, de um trabalho ou de uma pergunta. O livro não é um tratado científico nem um relato linear de biografia, e sim uma coleção de lembranças com cheiro de laboratório.
Quem já leu Levi como testemunha de Auschwitz pode se surpreender: aqui a guerra e o campo aparecem, mas não são o centro. O livro mostra a pessoa inteira, com família, juventude, amizades, empregos e curiosidade sobre a matéria.
