15 minutos
Capa do resumo de A Trégua

Biografias e memórias · 15 min

A Trégua

Primo Levi · 1963

Para quem é

Pra quem quer conhecer a continuação de É Isto um Homem e entender como foi a longa volta de um sobrevivente de Auschwitz para casa. Serve também pra quem gosta de relatos de viagem com humor e sensibilidade, e está pronto para um tema delicado.

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3 ideias pra levar

1

Entre a guerra e a paz existe um intervalo em que a liberdade ainda precisa ser reaprendida, e esse tempo merece respeito.

2

O humor de Levi funciona como forma de dignidade, e não como fuga da dor.

3

Quem conta o que viveu e não é escutado carrega um segundo peso, o de ter de lembrar sozinho.

“
Nomear quem não deixou registro é uma forma de impedir que o esquecimento termine o trabalho do crime.
Uma ideia de A Trégua, nas palavras do 15 minutos

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Um livro sobre o que vem depois

A Trégua conta a viagem de volta de Primo Levi para casa. Ele havia sido deportado para Auschwitz em 1944 e, no livro anterior, É Isto um Homem, relatou o tempo no campo. Este segundo livro, publicado em 1963, começa na libertação e termina com a chegada a Turim, quase nove meses depois.

O título tem um sentido irônico. Entre a guerra e a paz havia um intervalo estranho, sem regras claras, em que milhões de pessoas vagavam pela Europa, sem documentos, sem dinheiro e sem saber ao certo para onde ir. Levi chama esse intervalo de trégua, uma pausa, não ainda a paz.

Este resumo conta a história inteira, inclusive o final. Ele trata de memórias de um sobrevivente do Holocausto e menciona mortes, inclusive de uma criança. Leia com cuidado, e faça pausa se precisar.

Janeiro de 1945: o campo sem guardas

O livro abre com os últimos dias de Auschwitz. Os alemães fogem diante do avanço do exército soviético e abandonam os prisioneiros mais doentes, entre eles Levi, que estava na enfermaria com uma doença infecciosa. Em 27 de janeiro, os primeiros soldados soviéticos aparecem, a cavalo, e olham os sobreviventes com um silêncio pesado.

Levi descreve esse momento sem euforia. Não é festa, é um vazio. As pessoas estavam fracas, sem comida, em meio a cadáveres e frio. A liberdade chega como um fato estranho, que ainda não se sente como alívio.

O autor e alguns companheiros cuidam dos doentes do que sobrou, juntando carvão, comida e lenha para sobreviver aos primeiros dias. A solidariedade improvisada vai salvar muita gente, e o livro começa mostrando que a sobrevivência dependia de trabalho prático.

Hurbinek, o menino sem nome

Um dos episódios mais comoventes é o de Hurbinek, uma criança de cerca de três anos, que não sabia andar nem falar direito. Ninguém sabia seu nome verdadeiro, e os adultos o chamavam assim por causa dos sons que ele emitia. Ele tentava dizer uma palavra que ninguém conseguia entender.

Os sobreviventes tentavam ajudar, conversavam com ele, davam o pouco que tinham. Levi fica marcado pela insistência do menino em ser entendido. Hurbinek morreu poucos dias depois da libertação, sem nunca ter conhecido a vida fora do campo.

O texto de Levi serve de pequeno monumento. Quem não deixou registro, nem nome, nem família sobrevivente, ainda assim existiu. A página é uma forma de lembrar que cada vítima tinha uma história que o mundo quase não soube.

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Sobre Primo Levi

Primo Levi nasceu em Turim, na Itália, em 1919, e era químico de formação. Foi deportado para Auschwitz em 1944 e sobreviveu. Publicou É Isto um Homem em 1947 e A Trégua em 1963. Morreu em Turim, em 1987.

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