15 minutos
Capa do resumo de 1889

História · 15 min

1889

Laurentino Gomes · 2013

Para quem é

Pra quem gosta de entender como decisão de poucos muda a vida de todo mundo, e quer saber por que o Brasil trocou de regime numa manhã sem plebiscito e quase sem barulho. Boa leitura também pra quem já passou por uma rua chamada Deodoro, Floriano ou Quinze de Novembro e nunca parou pra pensar de onde vem esse nome.

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3 ideias pra levar

1

Quando a base econômica que sustenta um governo muda de mão, a lealdade política dessa base muda junto, por mais discurso que tentem usar pra segurar o contrário.

2

Um país inteiro pode trocar de regime numa manhã sem que a maioria da população tenha qualquer voz nesse processo.

3

Reduzir a queda de uma monarquia a três personagens conta uma baita história, mas sozinho não dá conta do interesse de classe nem da organização militar que empurravam o processo por trás das cenas.

“
Para o autor, um regime que depende da força de vontade de um homem só treme fácil quando esse homem já não quer mais segurar nada.
Uma ideia de 1889, nas palavras do 15 minutos

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Um repórter fechando a trilogia da virada do Brasil

Laurentino Gomes escreveu "1889" pra fechar a trilogia que começou com a fuga da corte portuguesa pro Rio, em 1808, e seguiu com a independência, em 1822. Agora o assunto é o fim do Império: como um regime de quase setenta anos caiu numa manhã de quartel sem tiro nenhum, sem que a maioria da população entendesse o que acontecia.

O método é o mesmo da trilogia: reportagem histórica, com carta, diário e jornal de época, montando a narrativa em cima de gente de carne e osso, não de conceito abstrato. Por isso o livro tem subtítulo com três personagens: um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado.

Esses três apelidos resumem a tese central: a Proclamação não nasceu de revolução popular organizada, nasceu do cansaço de quem estava no topo, da vaidade ferida de quem se sentia desprezado, e das ideias de oficiais que viam no positivismo a resposta pra tudo que incomodava no Brasil monárquico.

O imperador cansado: Dom Pedro II na reta final

Dom Pedro II subiu ao trono ainda adolescente, em 1840, e governou o Brasil por quase cinquenta anos. Na década de 1880, já era um homem de mais de sessenta anos, com diabetes avançada, cansado de despachar processo e assinar decreto todo dia, num regime que dependia demais da sua figura pessoal pra funcionar.

Ele próprio dizia preferir viver de biblioteca e viagem a continuar carregando o peso da coroa. Tinha visitado a Europa e os Estados Unidos, admirava as repúblicas que via por lá, e não escondia de ninguém que a monarquia, pra ele, já pesava mais do que dava prazer.

Esse cansaço pessoal é, pro livro, uma das peças que explicam por que quase ninguém lutou de verdade pra salvar o trono em novembro de 1889. Um regime seguro pela força de vontade de um homem só treme fácil quando esse homem já não quer mais segurar nada.

Sem herdeiro homem: o medo do terceiro reinado

Dom Pedro II teve um filho homem, que morreu ainda bebê, e a herdeira do trono virou a filha mais velha, a princesa Isabel. Ela era vista como capaz, mas o costume da época enxergava mulher no trono como fragilidade, ainda mais casada com um príncipe francês, o Conde d'Eu, pouco popular entre oficiais brasileiros.

A perspectiva de um terceiro reinado, sob Isabel, incomodava setores que já reclamavam da influência estrangeira na corte e temiam perder espaço político pra um marido estrangeiro. Esse medo, mais do que qualquer debate sobre forma de governo, empurrava parte da elite a procurar alternativa à monarquia antes mesmo de Dom Pedro II morrer.

É um detalhe que o livro não deixa passar batido: boa parte do movimento contra a monarquia nasceu do medo concreto do que viria depois do imperador cansado, numa sucessão que fragilizava ainda mais um trono que já vinha perdendo apoio.

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Sobre Laurentino Gomes

Laurentino Gomes nasceu em Maringá, no Paraná, e construiu carreira de décadas como jornalista antes de se dedicar a livros de história, passando por redações de grande circulação no país. "1889" fecha a trilogia que ele começou com "1808" e seguiu com "1822", contando em três livros a formação do Brasil moderno, da chegada da corte portuguesa à queda da monarquia. A trilogia venceu prêmios importantes, entre eles o Jabuti, e vendeu milhões de exemplares, tornando Gomes uma referência de história contada em formato de reportagem pro público não acadêmico.