Um repórter fechando a trilogia da virada do Brasil
Laurentino Gomes escreveu "1889" pra fechar a trilogia que começou com a fuga da corte portuguesa pro Rio, em 1808, e seguiu com a independência, em 1822. Agora o assunto é o fim do Império: como um regime de quase setenta anos caiu numa manhã de quartel sem tiro nenhum, sem que a maioria da população entendesse o que acontecia.
O método é o mesmo da trilogia: reportagem histórica, com carta, diário e jornal de época, montando a narrativa em cima de gente de carne e osso, não de conceito abstrato. Por isso o livro tem subtítulo com três personagens: um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado.
Esses três apelidos resumem a tese central: a Proclamação não nasceu de revolução popular organizada, nasceu do cansaço de quem estava no topo, da vaidade ferida de quem se sentia desprezado, e das ideias de oficiais que viam no positivismo a resposta pra tudo que incomodava no Brasil monárquico.
