O Rio de Janeiro virou capital de um império colonial ao contrário
Desde 1808 o Rio de Janeiro abrigava a corte portuguesa, fugida de Napoleão. Por treze anos, a cidade funcionou como sede de um império que ainda era, no papel, colônia de Portugal. Bancos, imprensa, faculdades e um comércio direto com a Inglaterra nasceram nesse período, mudando o equilíbrio entre metrópole e colônia.
Esse arranjo incomodava Portugal. A antiga metrópole via o próprio território empobrecer enquanto o Rio de Janeiro concentrava poder, dinheiro e decisão. Lisboa exigia o rei de volta e queria reduzir o Brasil outra vez à condição de colônia comum, sem os privilégios ganhos durante a estadia da corte.
Foi nesse cenário de ressentimento que estourou, em 1820, a Revolução do Porto: um movimento liberal português que exigia uma Constituição, o fim do absolutismo e, acima de tudo, o retorno imediato de D. João VI. O livro usa esse pano de fundo pra explicar por que 1822 não nasce do nada.
