Um livro nascido de décadas de silêncio
Em 1992, a psiquiatra americana Judith Herman reuniu num só livro algo que a psiquiatria tradicional tratava em gavetas separadas: o sofrimento de quem sobrevive a um estupro, o de quem volta de uma guerra e o de quem cresce dentro de uma casa violenta. Pra ela, o corpo e a mente reagem de um jeito parecido diante do medo extremo, não importa se a ameaça veio de um estranho na rua, de um inimigo de farda ou de alguém que deveria cuidar.
O livro nasce do encontro de duas coisas que raramente se cruzavam antes: o consultório, onde Herman atendia pacientes havia anos, e o movimento de mulheres, que nos anos 1970 começou a dar nome público a violências que antes ficavam só dentro de casa.
A obra se divide em duas partes. A primeira reconstrói a história de como, e por que, a medicina demorou tanto pra levar o trauma a sério, e descreve o que a violência prolongada faz com quem passa por ela. A segunda propõe um caminho de recuperação em estágios, pensado pra quem sofreu abuso continuado, não só um susto isolado.
