15 minutos
Capa do resumo de Tábula Rasa: A Negação Contemporânea da Natureza Humana

Psicologia · 15 min

Tábula Rasa: A Negação Contemporânea da Natureza Humana

Steven Pinker · 2002

Para quem é

Pra você que se interessa pelo velho debate entre natureza e criação e quer entender os argumentos de um dos autores mais lidos e discutidos sobre o tema. Serve a quem gosta de ideias, política e ciência, e topa ler uma tese polêmica com senso crítico.

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3 ideias pra levar

1

Muita resistência à ideia de natureza humana nasce do medo do que ela poderia justificar, e não de uma análise dos fatos.

2

Pinker divide a política entre quem vê o ser humano como limitado e quem o vê como perfectível, e cada lado acerta onde o outro erra.

3

Os três dogmas apontados pelo livro, mente em branco, bom selvagem e alma separada do corpo, agradam porque prometem que tudo se pode corrigir.

“
Explicar de onde vem uma tendência não é desculpar quem age por causa dela, e confundir as duas coisas trava muita conversa.
Uma ideia de Tábula Rasa: A Negação Contemporânea da Natureza Humana, nas palavras do 15 minutos

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A ideia que o livro quer derrubar

Tábula rasa é uma expressão latina para tábua raspada, e virou a imagem de uma mente que nasce em branco, sem tendências próprias, sendo escrita apenas pela experiência. Steven Pinker, psicólogo cognitivo, argumenta que essa ideia se espalhou tanto pela cultura que muita gente a toma por verdade científica, quando a ciência atual aponta para outro lado.

A tese do livro, publicado em 2002, é que a mente humana vem com uma estrutura inata, moldada pela evolução, e que negar isso tem custos intelectuais, morais e políticos. Não é um livro que diga que tudo é genético, mas que a experiência age sobre algo que já existe.

Pinker escreve como polemista. Seu alvo são intelectuais, escolas de pensamento e movimentos que, segundo ele, empurraram a cultura para a negação da natureza humana. Vale ler com a lupa ligada, tanto no que ele critica quanto na maneira como critica.

Os três dogmas

Pinker identifica três ideias que sustentariam a negação. A primeira é a própria tábula rasa: a mente seria moldada quase totalmente pela criação e pela cultura. A segunda é o bom selvagem: o ser humano seria naturalmente bom, e a maldade viria da sociedade. A terceira é o fantasma na máquina: a mente seria algo separado do corpo.

Cada uma tem raízes antigas e apelo emocional. Dizem coisas agradáveis: que todos podem ser tudo, que a maldade é curável e que somos mais do que matéria. O autor reconhece essa sedução, mas diz que elas colidem com dados da genética, da neurociência e da psicologia evolutiva.

A estratégia do livro é desmontar cada dogma, mostrar de onde veio e que consequências teve. Em seguida, defender que se pode reconhecer uma natureza humana sem abandonar a ideia de igualdade de direitos e de busca por justiça.

De onde vieram essas ideias

O livro faz uma breve história. A tábula rasa remete ao filósofo inglês John Locke, que no século XVII defendeu que o conhecimento vem da experiência e não de ideias inatas. O bom selvagem é associado a Jean-Jacques Rousseau, que via a civilização como corruptora. O fantasma na máquina vem de René Descartes e da separação entre mente e corpo.

Pinker admite que essas ideias tiveram papéis nobres: Locke ajudou a combater privilégios de nascimento, e a crença na possibilidade de mudança alimentou reformas. O problema, para ele, é transformar um instrumento político em doutrina científica.

No século XX, correntes como o behaviorismo e parte das ciências sociais reforçaram a tese. Se as pessoas são moldadas pelo ambiente, bastaria mudar o ambiente para criar um ser humano melhor, argumento que alimentou projetos otimistas e, às vezes, perigosos.

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Sobre Steven Pinker

Steven Pinker nasceu em Montreal, no Canadá, em 1954, e doutorou-se em psicologia experimental pela Universidade Harvard. Foi professor no MIT e depois em Harvard, onde pesquisou linguagem e cognição. É autor de O Instinto da Linguagem, Como a Mente Funciona e Os Anjos Bons da Nossa Natureza, entre outros. Tábula Rasa foi publicado em 2002.

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Categoria:
Psicologia
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