A pergunta que incomodava
Depois da Segunda Guerra, o mundo olhou para os crimes do nazismo e se perguntou: como tanta gente comum participou de tanta barbaridade? A explicação confortável era que os alemães tinham um defeito de caráter. Stanley Milgram, jovem psicólogo, desconfiou da resposta fácil e quis testar em laboratório até onde alguém comum vai quando recebe uma ordem.
A pergunta é desconfortável porque mexe com a imagem que temos de nós mesmos. Quase todo mundo acha que, no lugar dos outros, teria dito não. Milgram queria saber se essa certeza se sustenta quando a pressão é real, e não apenas imaginada numa conversa de bar.
O livro de 1974 reúne anos de experimentos e a interpretação do autor. Não é sobre nazismo em si, mas sobre um mecanismo humano que aparece em escritórios, quartéis, igrejas, hospitais e famílias.
