A farsa do homem que tenta agradar a todos
Na sociedade contemporânea, formou-se um perfil masculino que aparenta ser o ápice da generosidade e da compreensão. O chamado cara bonzinho é prestativo, evita qualquer discussão, esforça-se para ser visto como calmo e coloca as vontades de sua parceira, colegas de trabalho e familiares sempre à frente das suas. Ele se orgulha de ser diferente dos homens rudes e egoístas, acreditando piamente que sua abnegação será recompensada com amor incondicional, respeito e felicidade.
O terapeuta Robert Glover desconstrói essa imagem logo nas primeiras páginas ao demonstrar que esse comportamento não nasce de bondade desinteressada, mas de um profundo pavor da rejeição. Por trás do sorriso complacente, esconde-se um indivíduo ansioso que aprendeu na infância a silenciar suas próprias vontades para sobreviver emocionalmente em ambientes imprevisíveis. Em vez de se mostrar autêntico, ele cria uma máscara de perfeição para comprar segurança afetiva.
Essa postura dócil cobra um preço altíssimo. Ao esconder o que pensa e fingir que não tem preferências, o homem anula sua personalidade e se torna desonesto em seus vínculos, já que ninguém ao seu redor sabe o que ele realmente sente ou deseja por trás da fachada solícita.
