15 minutos
Capa do resumo de Totem e Tabu

Psicologia · 15 min

Totem e Tabu

Sigmund Freud · 1913

Para quem é

Pra quem tem curiosidade sobre como Freud tentou explicar religião, proibições e culpa olhando para sociedades antigas. Também serve pra quem quer entender de onde vem a ideia de que a civilização nasce de um crime coletivo, e por que ela é tão contestada.

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3 ideias pra levar

1

Proibição muito pesada costuma esconder uma tentação forte, e conhecer a regra ajuda a descobrir o desejo que ela cerca.

2

Para o autor, a vida em grupo nasce de um acordo entre iguais depois do fim de um poder absoluto, e essa tese continua rendendo debate mesmo sem prova histórica.

3

Quem admira e critica o mesmo chefe ao mesmo tempo não está sendo falso, está vivendo a ambivalência que o livro descreve.

“
Brigar com quem manda pode ser só outro jeito de continuar preso a quem manda.
Uma ideia de Totem e Tabu, nas palavras do 15 minutos

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Um livro que mistura consultório e antropologia

Totem e Tabu saiu em 1913 e é um dos textos mais ousados de Freud. Em vez de falar de pacientes em Viena, ele olha para povos que os europeus da época chamavam de primitivos e tenta explicar, com as ideias da psicanálise, de onde vêm as proibições, a religião e a moral.

O livro tem quatro ensaios. Os dois primeiros tratam do horror ao incesto e do tabu. O terceiro fala de magia e do que Freud chamava de onipotência dos pensamentos. O quarto, o mais famoso, apresenta a história do crime original e do totem.

A ideia de fundo é que a mente de quem vive nessas sociedades funciona como um espelho aumentado da mente de uma criança ou de um neurótico. Hoje essa comparação soa problemática, e vamos voltar a ela na crítica. Por enquanto, vale entender o raciocínio dele.

O que é um totem

Totem é, em geral, um animal ou planta que um clã considera ancestral e protetor. As pessoas do clã se sentem ligadas a ele por parentesco e não podem matá-lo nem comê-lo, a não ser em ocasiões muito especiais. Pense numa torcida que trata o mascote do time com quase devoção, e você tem uma pálida imagem da ideia.

A regra mais importante do totemismo, segundo os estudiosos que Freud lê, é a exogamia: quem pertence ao mesmo totem não pode se casar nem ter relações sexuais entre si. O parentesco que conta é o do clã, mais do que o de sangue.

Freud se interessa pelo totem porque ele junta duas proibições muito antigas: não matar o animal sagrado e não se relacionar com quem é do mesmo grupo. Para ele, essas duas regras coincidem com os dois grandes desejos reprimidos da infância, e aí está a pista do livro.

O horror ao incesto

No primeiro ensaio, Freud mostra que muitos povos cercam o incesto de regras minuciosas. Em certos grupos, um homem não pode nem conversar com a sogra ou ficar sozinho com a irmã. Essas barreiras vão muito além do que seria necessário só para evitar casamentos entre parentes próximos.

Quem cresceu numa família brasileira conhece versões leves disso: a piada eterna sobre a sogra, o constrangimento de falar de sexo na frente dos pais, o cuidado em não deixar o primo mais velho dormir no mesmo quarto das primas. Parece só costume, mas lembra a lógica do tabu.

Para Freud, tanta cautela indica que o desejo existe e precisa ser contido. Ninguém faz lei contra algo que ninguém quer fazer. Se há proibição tão pesada, é porque a tentação é forte, e a criança já carrega esse desejo inconsciente pelos próprios pais.

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Sobre Sigmund Freud

Sigmund Freud nasceu em 1856, em Freiberg, hoje na República Tcheca, e viveu em Viena a maior parte da vida. Formou-se em medicina e criou a psicanálise a partir do atendimento de pacientes com sintomas sem causa física. Publicou A Interpretação dos Sonhos em 1900 e, perseguido pelo regime nazista, deixou a Áustria em 1938 para morar em Londres, onde morreu em 1939.

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Categoria:
Psicologia
Faz parte das Jornadas:
Freud e a psicanálise