15 minutos
Capa do resumo de O Teste do Marshmallow

Hábitos e disciplina · 15 min

O Teste do Marshmallow

Walter Mischel · 2014

Para quem é

Pra você que tem dificuldade de resistir a impulsos, como gastar, comer ou procrastinar, e quer entender o que a pesquisa diz sobre autocontrole. Serve também a pais e professores que lidam com crianças.

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3 ideias pra levar

1

A cabeça tem um modo quente, que reage ao desejo, e um modo frio, que planeja; cansaço e estresse fortalecem o primeiro.

2

Perguntar em que situação você perde o controle ajuda mais do que se rotular como alguém sem disciplina.

3

Adiar tudo é tão limitante quanto não adiar nada: o ideal é poder escolher o que esperar e o que aproveitar já.

“
Deixar o celular em outro cômodo na hora de estudar é o marshmallow coberto pelas mãos: tirar a tentação da vista faz parte do jogo.
Uma ideia de O Teste do Marshmallow, nas palavras do 15 minutos

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O teste que virou lenda

Poucos experimentos de psicologia ficaram tão famosos quanto o do marshmallow. A imagem é irresistível: uma criança de quatro anos, sozinha numa sala, olhando para um doce que ela pode comer agora ou trocar por dois se esperar. Há vídeos e paródias, e a lição parece caber numa frase: quem espera se dá bem.

O livro de Walter Mischel, publicado em 2014, conta a história real por trás da lenda e a corrige em vários pontos. O autor foi o criador do teste e passou mais de cinquenta anos estudando o autocontrole. Seu interesse não era prever quem daria certo, mas entender como a mente consegue esperar.

A pergunta do livro é prática: se a capacidade de adiar a gratificação importa tanto para a vida, o que a pessoa faz por dentro quando consegue? E é possível aprender?

Como o experimento foi feito

No fim dos anos 1960 e início dos 1970, Mischel e colegas testaram crianças de uma escola infantil ligada à Universidade Stanford, filhas de professores e funcionários. Um adulto colocava um doce na mesa, geralmente marshmallow, e dizia que a criança podia comê-lo a qualquer momento tocando uma campainha.

Se esperasse o adulto voltar, depois de cerca de quinze minutos, ganharia um segundo doce. O adulto saía, e a criança ficava com o desafio. Uma câmera, atrás de um espelho, registrava o que ela fazia. Algumas comiam em segundos, outras aguentavam até o fim.

O mais interessante, diz Mischel, não era quantos esperavam, mas como. O livro gasta boa parte do tempo descrevendo esses comportamentos, que são a verdadeira riqueza do estudo.

O que as crianças faziam para esperar

As cenas filmadas são ótimas. Crianças cobriam os olhos, viravam a cadeira, cantavam baixinho, brincavam com os próprios pés, faziam caretas, inventavam jogos. Outras olhavam fixo para o doce e sofriam visivelmente, até desistir.

Mischel concluiu que as que esperavam bem não eram simplesmente mais fortes ou mais pacientes. Eram mais espertas no manejo da atenção. Tiravam o doce da cabeça, transformavam a espera em brincadeira e evitavam olhar para a tentação.

A lição inicial é que autocontrole depende de estratégias, e estratégias se aprendem. Quem deixa o celular em outro cômodo para estudar usa o mesmo princípio, só que com tecnologia moderna.

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Sobre Walter Mischel

Walter Mischel nasceu em Viena, em 1930, e fugiu com a família da Áustria nazista para os Estados Unidos. Doutorou-se pela Universidade Estadual de Ohio e lecionou em Harvard, Stanford e Columbia, onde ficou até o fim da carreira. Criou o teste do marshmallow na década de 1960 e questionou a visão de personalidade como conjunto fixo de traços. Morreu em 2018, quatro anos depois de publicar este livro.

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