15 minutos
Capa do resumo de O Carrasco do Amor e Outras Histórias sobre Psicoterapia

Psicologia · 15 min

O Carrasco do Amor e Outras Histórias sobre Psicoterapia

Irvin D. Yalom · 1989

Para quem é

Pra quem já ficou preso numa lembrança, num luto ou numa decisão adiada por medo, e quer entender por dentro como funciona uma terapia de verdade, sem fórmula fácil nem promessa de solução rápida.

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3 ideias pra levar

1

Segundo o livro, curar uma obsessão às vezes significa ajudar a pessoa a desistir da lembrança que mais fazia ela se sentir viva.

2

Para o livro, guardar uma prova proibida de quem você foi pode ser, pra quem está de saída, um jeito de não deixar a própria história ser reescrita por outra pessoa.

3

Para o livro, cobrar prazo de quem está de luto ignora que a dor tem ritmo próprio, diferente do calendário que os outros esperam.

“
Para o autor, admitir o próprio preconceito na frente do paciente vale mais do que fingir uma neutralidade que ninguém sente de verdade.
Uma ideia de O Carrasco do Amor e Outras Histórias sobre Psicoterapia, nas palavras do 15 minutos

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Um livro de contos que também é um livro de terapia

Carrasco do Amor reúne dez histórias reais de pacientes que passaram pelo consultório de Irvin Yalom, com nomes e detalhes trocados pra proteger a identidade de cada um. Cada capítulo é contado em primeira pessoa, do ponto de vista do próprio terapeuta, misturando o relato clínico com o que ele sentiu, pensou e às vezes errou durante o tratamento.

O livro nasceu em 1989 e ajudou a abrir a psicoterapia pro público geral, sem precisar de diploma nenhum pra entender. Não é um manual de técnica, é literatura sobre gente real enfrentando medo, obsessão e perda, com um terapeuta tentando ajudar sem fingir que tem resposta pronta.

No prólogo, antes das dez histórias, Yalom explica o pano de fundo teórico que sustenta o livro inteiro: a ideia de que boa parte do sofrimento humano nasce de quatro angústias que ninguém escapa, não importa a idade nem a conta bancária.

Não é preciso ler as dez histórias em ordem: cada uma se sustenta sozinha, então dá pra parar depois de qualquer capítulo e retomar depois sem perder o fio da meada.

As quatro angústias que ninguém escapa

No prólogo, Yalom lista quatro condições da existência que, segundo ele, disparam boa parte da ansiedade humana: a certeza da morte, o peso da liberdade de escolher a própria vida, o isolamento que existe mesmo cercado de gente, e a falta de um sentido pronto pra tudo.

Traduzindo pro dia a dia brasileiro: é o medo de perder alguém da família, é a responsabilidade de decidir o próprio caminho mesmo com pouca opção na praça, é a solidão que bate até dentro do grupo de WhatsApp do bairro lotado de mensagem, e é aquele cansaço de fim de mês perguntando pra que serve tanto esforço.

Essas quatro angústias voltam, de um jeito ou de outro, em cada uma das dez histórias do livro. Elas são o fio que costura casos tão diferentes entre si num só volume.

Thelma e o amor que virou prisão

A história que dá título ao livro é sobre Thelma, uma mulher perto dos setenta anos que chega ao consultório de Yalom carregando uma obsessão antiga: um caso curto e intenso que viveu anos antes com Matthew, um homem bem mais jovem.

Mesmo tendo um casamento estável ao lado, Thelma revive aquele romance breve como o ponto mais vivo da própria vida, repassando cada detalhe na cabeça como quem assiste o mesmo filme repetidas vezes, incapaz de mudar de canal.

A obsessão não era só saudade: virou o eixo em torno do qual toda a rotina dela passou a girar, a ponto de colocar em risco a própria saúde mental.

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Sobre Irvin D. Yalom

Irvin Yalom nasceu em 1931 em Washington, nos Estados Unidos, filho de imigrantes judeus russos. É psiquiatra, professor emérito de psiquiatria na Universidade Stanford e uma das maiores referências mundiais em psicoterapia existencial e terapia de grupo. Escreveu obras técnicas de referência sobre terapia de grupo e terapia existencial, além de livros que misturam ficção e história da filosofia, caso do romance Quando Nietzsche Chorou. Carrasco do Amor, de 1989, foi um dos primeiros livros dele a levar casos clínicos reais para o público geral, fora da sala de aula.