Da bigorna de alpinista à fábrica de ferragens
Yvon Chouinard começou como escalador, não como empresário. Insatisfeito com os pitons, as cunhas de metal que os alpinistas cravam na rocha pra se prender, importados e caros, ele aprendeu sozinho a forjar as próprias peças numa bigorna e vendia o excedente pro colega de trilha direto do porta-malas do carro, sem cartaz nem vitrine.
A fama das peças bem-feitas correu entre os alpinistas da região, e o que começou como um jeito de bancar a própria escalada virou um pequeno negócio, a Chouinard Equipment, sem plano de crescimento nenhum, só pedido de amigo atrás de pedido de amigo.
O próprio sucesso trouxe um incômodo maior que qualquer concorrente: pitons martelados e arrancados da rocha, escalada após escalada, deixavam cicatriz permanente na pedra. Em vez de vender mais pitons, Chouinard passou a defender a escalada limpa, equipamento que se encaixa na fenda da rocha sem martelo e sai sem deixar marca, mesmo que isso encolhesse o próprio produto mais vendido.
