Infância em Porbandar e os primeiros dilemas morais
A infância de Mohandas Gandhi em Porbandar decorreu sob a tutela piedosa de sua mãe Putlibai e a firmeza austera de seu pai Karamchand. No lar modesto, o garoto testemunhava práticas religiosas diárias, vigílias e abstinências periódicas que deixaram marcas perenes em sua mente infantil. Seu temperamento excessivamente tímido e retraído afastava-o das brincadeiras mundanas nos pátios escolares, fazendo com que corresse apressadamente para casa ao soar do último sinal para evitar qualquer interlocução indesejada com os demais estudantes de sua faixa etária.
Na adolescência em Rajkot, o jovem experimentou seus primeiros descaminhos éticos e deslizes graves sob a influência perniciosa de uma amizade escolar duvidosa. Convencido ingenuamente de que a ingestão de carne concederia aos indianos a compleição física robusta dos colonizadores ingleses, consumiu pedaços cozidos às escondidas, enfrentando noites insones de terror e remorso. A essa infração somaram-se o hábito clandestino de fumar tocos de cigarros descartados por criados da residência e o furto de raspas de ouro da pulseira de seu irmão para quitar débitos juvenis inconfessáveis.
Incapaz de suportar a mentira que consumia sua paz interior, Gandhi decidiu redigir uma confissão completa com todos os detalhes de suas faltas, entregando a carta diretamente nas mãos trêmulas do pai enfermo e prostrado no leito de morte. Aguardava uma furiosa explosão de cólera ou uma enérgica admoestação, mas o patriarca leu tudo em silêncio absoluto e derramou lágrimas compassivas sobre as linhas escritas, rasgando o papel em seguida. Aquele sublime espetáculo de perdão incondicional ensinou ao jovem que a retidão nasce da verdade purificadora manifestada no amor sincero.
