Um livro escrito no meio do caos
Leviatã saiu em 1651, quando a Inglaterra vinha de uma guerra civil que matou muita gente, derrubou a monarquia e levou o rei Carlos I ao cadafalso. Thomas Hobbes escreveu o livro em parte no exílio, na França, e carregava o medo de quem viu o país se despedaçar porque ninguém sabia mais a quem obedecer. Se você já viveu um bairro onde a polícia sumiu e cada grupo passou a mandar na sua rua, tem uma ideia pequena do que o autor tinha na cabeça.
A pergunta que move o livro é simples e incômoda: por que as pessoas devem obedecer a alguém? Hobbes não responde com tradição, com vontade divina nem com a fama de um rei. Ele tenta partir do zero, olhando para o ser humano como ele é, e daí construir uma justificativa para o poder do Estado. É por isso que o livro é considerado um dos textos fundadores da filosofia política moderna.
O título vem de um monstro bíblico, o Leviatã, usado como imagem de um Estado tão forte que ninguém consegue desafiá-lo. Na capa da primeira edição aparece um gigante coroado cujo corpo é formado por centenas de pessoas minúsculas. A mensagem visual já resume a tese: o poder do soberano é feito da soma dos cidadãos que se juntaram para não se destruírem entre si.
