15 minutos
Capa do resumo de Leviatã

Filosofia · 15 min

Leviatã

Thomas Hobbes · 1651

Para quem é

Pra quem quer entender por que existe Estado e por que tanta gente aceita trocar liberdade por segurança. Serve também a quem gosta de filosofia política e quer conhecer o texto que inaugurou a ideia moderna de contrato social.

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3 ideias pra levar

1

Um acordo sem alguém capaz de cobrar o combinado depende só de boa vontade, e boa vontade acaba quando a tentação aumenta.

2

Quando o medo de ser atacado domina, atacar primeiro parece razoável, e é assim que duas partes pacíficas entram numa briga que nenhuma queria.

3

Para o autor, o poder do Estado nasce de um pacto entre as pessoas, e não de uma ordem divina ou de uma tradição de família.

“
Cada muro que você levanta por medo do vizinho convence o vizinho a levantar o dele.
Uma ideia de Leviatã, nas palavras do 15 minutos

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Um livro escrito no meio do caos

Leviatã saiu em 1651, quando a Inglaterra vinha de uma guerra civil que matou muita gente, derrubou a monarquia e levou o rei Carlos I ao cadafalso. Thomas Hobbes escreveu o livro em parte no exílio, na França, e carregava o medo de quem viu o país se despedaçar porque ninguém sabia mais a quem obedecer. Se você já viveu um bairro onde a polícia sumiu e cada grupo passou a mandar na sua rua, tem uma ideia pequena do que o autor tinha na cabeça.

A pergunta que move o livro é simples e incômoda: por que as pessoas devem obedecer a alguém? Hobbes não responde com tradição, com vontade divina nem com a fama de um rei. Ele tenta partir do zero, olhando para o ser humano como ele é, e daí construir uma justificativa para o poder do Estado. É por isso que o livro é considerado um dos textos fundadores da filosofia política moderna.

O título vem de um monstro bíblico, o Leviatã, usado como imagem de um Estado tão forte que ninguém consegue desafiá-lo. Na capa da primeira edição aparece um gigante coroado cujo corpo é formado por centenas de pessoas minúsculas. A mensagem visual já resume a tese: o poder do soberano é feito da soma dos cidadãos que se juntaram para não se destruírem entre si.

O ser humano visto como uma máquina de desejos

Antes de falar de governo, Hobbes fala do indivíduo. Para ele, somos corpos em movimento: sentimos, desejamos algo, nos aproximamos do que parece bom e fugimos do que parece ruim. Ele tinha uma visão materialista, ou seja, explicava mente e emoção como efeitos de movimentos do corpo, sem recorrer a uma alma misteriosa. Para a época, isso era ousado e rendeu a ele fama de ateu, o que ele sempre negou.

Nesse retrato, a vida não tem um ponto final de felicidade em que a pessoa descansa. Tem um desejo atrás do outro, e o que muda é o objeto. Quem consegue o carro quer a casa, quem consegue a casa quer segurança para mantê-la. Por isso Hobbes diz que todo mundo deseja, antes de tudo, poder para garantir que poderá continuar conseguindo o que quer amanhã.

O estado de natureza e a igualdade que assusta

O famoso ponto de partida do livro é um experimento mental: como seria a vida sem governo, sem leis e sem ninguém com autoridade para punir? Hobbes chama isso de estado de natureza. Não é uma tese histórica de que um dia todos viveram assim, e sim um exercício para testar o que acontece quando a regra comum desaparece.

Nesse cenário, ele observa que os humanos são mais iguais do que parece. Alguém pode ser mais forte, mas o mais fraco consegue matar o mais forte com astúcia ou aliando-se a outros. Pense numa briga de bar: o valentão dorme em algum momento, e basta uma garrafa na hora errada. Como todos podem se ferir mutuamente, ninguém tem segurança de verdade.

A igualdade, nesse sentido, não é uma boa notícia. Ela alimenta a esperança de que cada um consiga o que quer e, por isso, produz disputa. Dois sujeitos que desejam a mesma coisa que só um pode ter viram inimigos, e sem árbitro o conflito só termina quando um dos dois cede ou cai.

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Sobre Thomas Hobbes

Thomas Hobbes nasceu na Inglaterra em 1588 e morreu em 1679. Estudou em Oxford, foi tutor e secretário em casas da nobreza inglesa e traduziu para o inglês a história da Guerra do Peloponeso, de Tucídides. Durante a crise política que levou à guerra civil, viveu vários anos na França, onde escreveu parte de sua obra política. Leviatã é seu livro mais famoso e foi publicado em 1651.

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Categoria:
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