Uma palavra que virou enfeite
Hoje todo mundo tem estratégia. A empresa tem, o time de vendas tem, o candidato a vereador tem, o influenciador diz que tem a dele. O problema, segundo Richard Rumelt, é que a palavra virou enfeite: serve para dar ar de seriedade a qualquer lista de desejos, e quase ninguém para para perguntar se aquilo é mesmo uma estratégia.
Em Estratégia Boa, Estratégia Ruim, o autor propõe duas tarefas. A primeira é aprender a reconhecer a estratégia ruim, que é muito mais comum do que se imagina. A segunda é entender o que faz uma estratégia boa, que é rara justamente porque exige escolha, e escolher incomoda.
A tese é que estratégia não é ambição, nem slogan, nem planilha de metas. É a resposta a um problema difícil: um plano coerente para superar um obstáculo importante. Sem obstáculo claro, não há o que resolver, e sem resolução não há estratégia.
Pense numa campanha de fim de ano em que o presidente anuncia o ano da excelência e distribui cartazes pelos corredores. Três meses depois, ninguém lembra o que mudou. O cartaz era a estratégia, e isso diz tudo.
