Uma tese radical em linguagem de laboratório
Robert Sapolsky, neurocientista e primatologista, escreve um livro para defender uma ideia que muita gente acha ofensiva: o livre-arbítrio não existe. Tudo o que fazemos, pensamos e escolhemos seria resultado de fatores biológicos e ambientais sobre os quais nunca tivemos controle.
A tese não é apresentada como opinião de filósofo, mas como conclusão de décadas de pesquisa sobre cérebro, hormônios, genes e desenvolvimento. Segundo ele, quanto mais a ciência avança, menos espaço sobra para um eu autônomo que decide por cima de tudo. O ato livre, no fim, seria uma ilusão persuasiva.
O livro não nega que tomemos decisões, avalie opções e sintamos que escolhemos. O que ele nega é que essa escolha tenha origem em algo independente das causas anteriores. Daí as consequências para justiça, moral e vida cotidiana, que ocupam boa parte das páginas finais.
