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Capa do resumo de Determinados: a ciência da vida sem livre-arbítrio

Ciência · 15 min

Determinados: a ciência da vida sem livre-arbítrio

Robert M. Sapolsky · 2023

Para quem é

Título original: Determined: A Science of Life Without Free Will. Pra quem se interessa por neurociência, filosofia e justiça e topa encarar uma tese que desafia o senso comum sobre culpa e mérito.

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3 ideias pra levar

1

Para o livro, a disciplina e o autocontrole também dependem de fatores que ninguém escolheu, como sono, nutrição e infância.

2

Se o castigo deixa de ser vingança, o foco da justiça muda para proteger a sociedade e prevenir novos crimes.

3

Aceitar que as causas moldam o comportamento não impede agir, porque as nossas ações presentes são parte das causas do futuro.

“
Quando alguém erra, perguntar o que explica o ato muda o tom da conversa.
Uma ideia de Determinados: a ciência da vida sem livre-arbítrio, nas palavras do 15 minutos

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Uma tese radical em linguagem de laboratório

Robert Sapolsky, neurocientista e primatologista, escreve um livro para defender uma ideia que muita gente acha ofensiva: o livre-arbítrio não existe. Tudo o que fazemos, pensamos e escolhemos seria resultado de fatores biológicos e ambientais sobre os quais nunca tivemos controle.

A tese não é apresentada como opinião de filósofo, mas como conclusão de décadas de pesquisa sobre cérebro, hormônios, genes e desenvolvimento. Segundo ele, quanto mais a ciência avança, menos espaço sobra para um eu autônomo que decide por cima de tudo. O ato livre, no fim, seria uma ilusão persuasiva.

O livro não nega que tomemos decisões, avalie opções e sintamos que escolhemos. O que ele nega é que essa escolha tenha origem em algo independente das causas anteriores. Daí as consequências para justiça, moral e vida cotidiana, que ocupam boa parte das páginas finais.

O caso do atirador com um tumor

O ponto de partida é uma história dramática. Em 1966, um jovem americano chamado Charles Whitman matou várias pessoas a tiros de uma torre universitária no Texas. Antes, ele havia escrito que sentia pensamentos violentos e pediu que seu cérebro fosse examinado depois de sua morte.

A autópsia revelou um tumor perto da amígdala, região ligada ao medo e à agressividade. Para muita gente, isso muda o julgamento moral: ele não seria totalmente responsável, porque algo no cérebro o empurrou. Sapolsky usa o caso para fazer uma pergunta incômoda.

A pergunta é: por que o tumor nos comove e outras causas não? Se uma alteração visível no cérebro diminui a culpa, por que uma alteração invisível, causada por genes, infância difícil ou hormônios, não faria o mesmo? A distinção entre cérebro doente e cérebro normal, diz ele, é arbitrária.

A cadeia de causas, até o começo

O raciocínio central é uma investigação em retrocesso. Diante de um comportamento, pergunte o que aconteceu um segundo antes: a atividade de certos neurônios. Um minuto antes: o que a pessoa viu ou ouviu. Horas antes: o nível de hormônios, o sono, a fome. Dias, meses, anos antes: a experiência acumulada.

Continuando, chegamos à adolescência, quando o cérebro ainda está em formação, depois à infância, ao ambiente do útero e aos genes herdados. Mais atrás, estão a cultura dos antepassados e a evolução da espécie. A imagem usada pelo autor é a de tartarugas empilhadas uma sobre a outra, até o fundo.

Em nenhum degrau dessa escada aparece um momento em que um eu se solta das causas e escolhe do nada. Toda explicação desloca o problema para trás, mas nunca encontra o ponto onde alguém originou o ato. É essa ausência que, para ele, torna o livre-arbítrio insustentável.

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Sobre Robert M. Sapolsky

Robert Sapolsky é professor de biologia e neurologia na Universidade Stanford e estudou por décadas babuínos no Quênia. Recebeu uma bolsa MacArthur, conhecida como prêmio gênio, em 1987. Escreveu Comporte-se e outros livros sobre estresse e comportamento. Determinados saiu em 2023.

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