O kouros que enganou os melhores olhos do museu
Em 1983, o Museu J. Paul Getty, na Califórnia, negociou a compra de um kouros grego, estátua de mármore de um jovem nu, esculpida séculos antes de Cristo. Antes de fechar negócio, o museu passou mais de um ano testando a peça: geólogo analisou a crosta do mármore, advogado verificou procedência, químico mediu a pedra em laboratório. Tudo apontava pra autenticidade.
O problema começou quando historiadores de arte viram a estátua e sentiram um desconforto instantâneo, antes de conseguir explicar por quê. Um deles descreveu a sensação como algo errado no estômago. Outro achou o conjunto novo demais pra ter dois mil anos.
Com o tempo, evidência documental e estilística apontou forte suspeita de falsificação, contrariando meses de teste técnico. Gladwell abre o livro com uma pergunta incômoda: por que o julgamento de dois segundos de gente treinada acertou o que caro exame de laboratório não notou?
