O sabático no Havaí e a nova visão
No final da década de noventa, Marc Benioff ocupava uma posição invejável como vice-presidente sênior na gigante de tecnologia Oracle, trabalhando sob a liderança direta de Larry Ellison. Apesar do faturamento astronômico e do prestígio corporativo, Benioff sentia-se estagnado diante de um modelo de negócios arcaico, no qual programas empresariais eram vendidos em caixas de plástico e discos rígidos, exigindo meses de instalação em servidores locais caros e equipes numerosas de consultoria para pequenas manutenções.
Para clarear a mente, Benioff tirou um período de sabático prolongado, viajando pela Índia e fixando-se no Havaí, onde passava as manhãs nadando com golfinhos e refletindo sobre o futuro da computação. Foi nessa temporada de descanso que emergiu sua grande epifania: se os consumidores já utilizavam a internet de forma simples e intuitiva para comprar livros na Amazon, por que o software corporativo continuava tão complexo, caro e inacessível para a maioria das empresas?
A visão que dali nasceu preconizava o fim definitivo da era do software instalado em máquinas físicas. Benioff imaginou um modelo no qual aplicações empresariais seriam entregues diretamente pelo navegador da web como uma utilidade pública básica, exatamente como a eletricidade que chega pela tomada ou a água encanada. Nascia ali o conceito revolucionário que anos mais tarde seria batizado globalmente como computação em nuvem.
