Tudo na vida é uma negociação
A tese de Herb Cohen é direta: negociar não é coisa de executivo em sala de reunião, é o que todo mundo faz o tempo todo. Pedir aumento, discutir o preço do aluguel, combinar com o cônjuge quem leva as crianças, convencer o gerente do banco a rever uma tarifa, tudo isso é negociação, mesmo que ninguém use essa palavra.
O livro, publicado em 1980, parte da ideia de que a maioria das pessoas negocia mal não por falta de inteligência, mas porque aceita o que parece fixo. Placa de preço, formulário impresso e regra da casa funcionam como pequenas muralhas, e Cohen quer ensinar o leitor a perguntar se aquilo é mesmo imutável.
Pense na última vez em que você pagou o valor cheio sem perguntar nada. No balcão da loja, no plano do celular, na mensalidade da academia. O primeiro passo do livro é uma mudança de atitude: tratar o que está escrito como ponto de partida, e não como sentença.
Isso não quer dizer sair brigando por tudo. A leitura mais sensata do livro não é a de barganhar por esporte, e sim a de reconhecer que há mais espaço para conversa do que a maioria supõe. Muitas vezes o pior que pode acontecer é ouvir um não educado, e o custo de perguntar é bem menor do que o de ficar calado.
