Duas expedições, o mesmo Polo Sul
Em dezembro de 1911, dois grupos corriam pra ser o primeiro a pisar no Polo Sul: um liderado pelo norueguês Roald Amundsen, outro pelo inglês Robert Falcon Scott. Os dois enfrentavam o mesmo gelo e o mesmo vento cortante do inverno antártico. Amundsen chegou primeiro e voltou com toda a equipe viva. Scott chegou um mês depois e morreu com os companheiros na volta, a poucos quilômetros de um depósito de comida que poderia ter salvado a expedição.
Collins e Hansen abrem o livro com essa comparação porque ela resume a pergunta central da pesquisa: diante do mesmo ambiente hostil, por que um time sobrevive e outro desaba? Amundsen tinha planejado cada detalhe com anos de antecedência: usava cães treinados pra puxar trenó no gelo, marcava os depósitos de suprimento com bandeiras nos dois lados do trajeto, criando redundância caso um marcador se perdesse na nevasca, e mantinha ritmo diário quase igual todos os dias, fizesse sol ou tempestade.
Scott, ao contrário, misturava método sem critério firme: pônei, trenó motorizado que quebrava no frio extremo, e homem puxando carga à mão quando o resto falhava. Em dia bom, empurrava a equipe além do razoável; em dia ruim, às vezes ficava na tenda. Essa inconsistência, mais do que o azar do clima, é o que os autores apontam como a diferença entre quem voltou vivo e quem não voltou.
