O decreto de Mikitani: a revolução na Rakuten
Em maio de 2010, Hiroshi Mikitani, o bilionário fundador e presidente da Rakuten, a maior plataforma de comércio eletrônico do Japão, reuniu todos os seus colaboradores para fazer um anúncio estarrecedor. A partir daquele dia, o idioma corporativo oficial da empresa seria o inglês, abolindo o japonês de reuniões de diretoria, apresentações de vendas, sistemas internos de informática e até dos cardápios da cafeteria corporativa em Tóquio. Os mais de sete mil funcionários receberam o prazo improrrogável de dois anos para atingir notas altas em testes internacionais de fluência.
A punição para quem não alcançasse a nota estipulada era implacável: o funcionário sofreria rebaixamento de cargo, corte substancial de bônus ou até demissão sumária. Esse experimento ousado e controverso, batizado pelo próprio fundador de englishnization, serviu de laboratório para a pesquisadora de Harvard Tsedal Neeley, que acompanhou de perto os bastidores humanos e organizacionais dessa transição dramática ao longo de cinco anos intensos.
