O culto à exaustão e a empresa calma
No ecossistema corporativo contemporâneo, a exaustão física e mental tornou-se uma espécie bizarra de troféu de status. Dizer que está correndo sem parar, que não dorme direito há dias e que almoça na frente do computador virou sinônimo de dedicação. Jason Fried e David Heinemeier Hansson desafiam frontalmente essa loucura, defendendo que o objetivo primordial de uma organização bem administrada deve ser a calma, e não a histeria permanente.
Uma empresa calma não trata o expediente como uma guerra diária onde é preciso destruir concorrentes ou sangrar pelos clientes. Quarenta horas semanais bem aproveitadas são mais do que suficientes para construir um negócio rentável, inovador e duradouro. Quando um escritório precisa exigir rotinas de sessenta ou oitenta horas de seus colaboradores, o problema não é a ambição dos projetos, mas sim o desperdício crônico de tempo com distrações evitáveis.
Nas capitais brasileiras, a cultura da correria desenfreada virou um vício de comportamento. As pessoas se sentem culpadas quando encerram suas tarefas pontualmente e voltam para casa sem levar trabalho na mochila. Resgatar a serenidade exige coragem dos líderes para declarar que a correria desenfreada é sinal de incompetência gerencial, e não de mérito profissional.
