Das margens da sociedade ao primeiro brechó
A trajetória de Sophia Amoruso desafia qualquer cartilha tradicional de escolas de administração. Antes de se tornar uma executiva reverenciada pela imprensa de negócios, ela foi uma jovem sem rumo fixo, adepta da contracultura anarquista, que pedia carona em estradas desertas, revirava caçambas de padarias atrás de pão descartado e pulava de subemprego em subemprego para pagar o aluguel de quartos minúsculos.
O ponto de virada dramático ocorreu quando ela foi flagrada furtando uma mercadoria barata em uma loja de departamentos. O susto com a detenção policial e a humilhação pública funcionaram como um choque de realidade: se quisesse ter liberdade e dignidade verdadeira, ela precisaria parar de agir como uma adolescente rebelde e assumir as rédeas da própria sobrevivência com trabalho honesto.
Aos vinte e dois anos, trabalhando como recepcionista em uma faculdade de artes apenas para ter acesso a um plano de saúde e tratar uma hérnia, ela abriu uma conta modesta no eBay com o nome de Nasty Gal Vintage. Essa iniciativa despretensiosa não nasceu de um plano de negócios elaborado, mas da necessidade visceral de pagar as próprias contas com autonomia.
