15 minutos
Capa do resumo de Sonho Grande

Negócios · 15 min

Sonho Grande

Cristiane Correa · 2013

Para quem é

Pra quem quer entender como um grupo pequeno de sócios brasileiros criou, com meritocracia e corte de custo pesado, uma das maiores redes de negócios do mundo, da cerveja ao fast-food. Serve também pra quem lidera equipe pequena e quer testar, com os pés no chão, o que dá pra copiar dessa cultura e o que é risco demais pra copiar sem ajustar.

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3 ideias pra levar

1

Cortar desperdício de verdade é olhar cada despesa como se ela não existisse ainda e perguntar se você a criaria hoje, não simplesmente reduzir um percentual em cima do que já existe.

2

Crescer comprando concorrente só funciona quando a empresa compradora sabe replicar a própria cultura na empresa nova, não só assinar o contrato.

3

Ambição gigante e vida pessoal simples podem conviver na mesma pessoa, e foi essa combinação, não o dinheiro em si, que virou modelo pra outros empresários.

“
Prefira contratar quem tem fome de vencer a quem só tem sobrenome bonito no currículo.
Uma ideia de Sonho Grande, nas palavras do 15 minutos

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Três sócios que sonhavam maior do que o próprio país

Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira não nasceram donos de nada parecido com o que construíram depois. Lemann foi tenista de competição, chegou a representar o Brasil em Wimbledon, e estudou fora antes de voltar pro Rio decidido a montar um banco diferente do resto do mercado. Não tinha herança de família grande sustentando o projeto, só ambição e um jeito de trabalhar pouco comum entre banqueiro da época.

Telles e Sicupira entraram depois, ainda jovens, dispostos a provar valor todo santo dia dentro do banco Garantia. Os três formaram um núcleo que, ao longo de décadas, sairia do mercado financeiro pra comandar cervejaria, rede de loja, banco de investimento americano, fast-food e fábrica de ketchup, sempre aplicando a mesma receita de gestão aprendida nos primeiros anos de sociedade.

O nome do livro vem exatamente dessa mentalidade: pensar grande, não se contentar com o tamanho do mercado brasileiro, e tratar ambição alta como algo treinável, não como dom raro de poucos. É esse fio que costura os quarenta e tantos anos de história contados no livro.

O banco que importou Wall Street pro Rio de Janeiro

Em 1971, Lemann fundou o banco Garantia num Brasil de banco tradicional e hierárquico, onde cargo importava mais que resultado entregue. A aposta dele foi importar prática de banco de investimento americano: bônus atrelado a desempenho e liberdade pra gente jovem assumir responsabilidade cedo, desde que entregasse número.

Isso soava estranho pro mercado financeiro carioca da época, acostumado a promoção por tempo de casa e sobrenome de família. O Garantia crescia justamente cobrando o oposto: quem entregava mais, subia mais rápido, mesmo sem rede de contato herdada ou diploma de faculdade cara.

Esse banco funcionou como escola. Foi lá que Telles, Sicupira e uma geração inteira de executivos aprenderam o método que depois replicariam em empresa de cerveja, loja de departamento e multinacional de alimento, décadas mais tarde.

PSD: o filtro informal usado pra contratar gente

O trio tinha um critério de contratação que virou quase lenda dentro da empresa: procurar gente PSD, pobre, sonhadora e desesperada pra vencer. A lógica era simples: quem já nasceu com colchão financeiro grande tende a arriscar menos e brigar menos por resultado do que quem precisa literalmente da vaga pra melhorar de vida.

Isso não significa que só contratavam gente sem estudo. Significa que valorizavam mais fome de crescer do que sobrenome de família ou diploma de faculdade cara. Um jovem de origem simples, disposto a trabalhar pesado e aprender rápido, tinha chance real de virar sócio em poucos anos.

Na prática brasileira de hoje, dá pra pensar nisso como o oposto de indicação de parente pra vaga de emprego: em vez de perguntar quem indicou, pergunta o que a pessoa já provou que consegue entregar, mesmo começando de baixo.

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Sobre Cristiane Correa

Cristiane Correa é jornalista brasileira. Atuou por anos como repórter e editora de negócios na revista Exame, cobrindo de perto grandes empresas brasileiras, entre elas o grupo de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Sonho Grande, lançado em 2013 pelo selo Primeira Pessoa da Sextante, nasceu de entrevistas diretas com os três sócios e com pessoas do círculo próximo deles.