A suposição fatal que engana quase todo empreendedor
Michael Gerber batiza logo no começo do livro um erro que ele via se repetir toda hora: a suposição fatal, a crença de que quem entende do trabalho técnico de um negócio automaticamente entende de administrar um negócio que faz aquele trabalho. Parece óbvio quando alguém lê essa frase de fora, mas é exatamente essa crença que empurra tanta gente a abrir negócio todo ano, e explica boa parte das portas que fecham nos primeiros anos.
Pensa no cabeleireiro que corta cabelo melhor que qualquer um do bairro e decide abrir o próprio salão. Ele sabe cortar cabelo, ponto. Não sabe necessariamente montar escala de funcionário, negociar aluguel, calcular imposto ou responder reclamação no grupo do bairro. São capacidades diferentes: uma é fazer o trabalho, a outra é construir uma empresa em volta dele.
Gerber dá nome a esse momento de decisão: surto empreendedor, um acesso de entusiasmo, geralmente depois de um chefe chato ou de um salário apertado, que confunde talento técnico com capacidade de tocar um negócio inteiro. O resultado costuma ser parecido: o técnico troca o emprego de fazer o que gosta por um emprego de fazer tudo, sem hora extra, sem férias e sem ninguém pra cobrir quando adoece.
