Uma infância pobre e cheia de histórias no Maine
King nasceu numa família que se desfez cedo: o pai saiu de casa pra comprar cigarro e nunca mais voltou, deixando a mãe sozinha pra criar dois filhos com o salário curto de empregos temporários. A casa mudava de cidade com frequência, sempre atrás de um trabalho que pagasse as contas até o fim do mês.
Nesse tipo de infância, sem dinheiro pra brinquedo e sem TV boa parte do tempo, ler virou a diversão mais barata da casa: gibi emprestado, livro de biblioteca, qualquer coisa que enchesse a hora vaga. Foi lendo tanta história de terror barata que ele decidiu, ainda garoto, que queria inventar as próprias.
A mãe incentivava a escrita mesmo sem entender bem aquele gosto por monstro e fantasma: pagava uma moedinha pelos primeiros contos que o filho datilografava, um jeito caseiro de dizer que aquilo tinha valor. Foi o primeiro cachê da carreira, e também a primeira prova de que escrever podia ser levado a sério.
