Por que líquido
Zygmunt Bauman escolhe uma metáfora simples para descrever o nosso tempo: a diferença entre sólidos e líquidos. Um sólido guarda a forma, ocupa lugar fixo e resiste ao tempo. Um líquido muda de formato a todo instante, escorre, se adapta ao recipiente e não aguenta ficar parado.
A tese do livro é que a modernidade, desde o início, quis derreter os sólidos herdados: o poder da tradição, a ordem dos senhores, as hierarquias fixas. A diferença é que, antes, derretia-se para construir sólidos melhores, mais racionais e duradouros. Agora derrete-se sem prometer coisa nenhuma no lugar.
Resultado: instituições, vínculos, empregos e identidades passam a existir em estado provisório. A pergunta que atravessa o livro é o que acontece com a vida de gente comum quando quase nada é feito para durar.
