15 minutos
Capa do resumo de Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã

Ciência · 15 min

Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã

Yuval Noah Harari · 2015

Para quem é

Pra quem já leu Sapiens, ou nem leu, e quer entender pra onde Harari acha que a humanidade está indo agora que fome, peste e guerra perderam força. Serve também pra quem gosta de pensar grande sobre tecnologia, sentido da vida e o lugar do ser humano num mundo cada vez mais movido a dado.

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3 ideias pra levar

1

Para Harari, quando uma espécie resolve os próprios problemas mais antigos, ela não para de sonhar, ela troca fome e guerra por metas maiores, como estender a vida e ampliar a própria mente.

2

A ideia de que inteligência e consciência sempre andam juntas está sendo posta à prova por sistema que resolve problema complexo sem sentir absolutamente nada durante o processo.

3

Segundo o livro, se o universo passar a ser lido como fluxo de dados, decisão que hoje ainda é nossa, como o que comer ou quem amar, pode ir sendo delegada, aos poucos, a quem processa melhor esse fluxo.

“
Segundo Harari, a era moderna trocou a pergunta sobre o que os deuses querem pela pergunta sobre o que eu sinto, e pôs a experiência humana no centro das decisões.
Uma ideia de Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, nas palavras do 15 minutos

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Da sobrevivência à ambição de virar deus

Durante quase toda a história, a humanidade lutou contra três inimigos fixos: fome, peste e guerra. Harari mostra que, pela primeira vez, essas três ameaças deixaram de ser destino garantido. Hoje, no mundo como um todo, morre mais gente de excesso de comida do que de falta dela, e morre mais gente de velhice e de suicídio do que de violência entre países.

Segundo o autor, quando uma espécie resolve os problemas mais antigos, ela não para de sonhar, ela troca de pauta. A próxima fronteira vira conquistar a morte, garantir felicidade permanente e ampliar as capacidades do corpo e da mente até um patamar que antes só se atribuía à divindade.

É como a família que, depois de quitar as dívidas e garantir aluguel, comida e plano de saúde, começa a sonhar com viagem internacional, procedimento estético ou aposentadoria antecipada. Resolvido o básico, a ambição sobe de nível automaticamente.

Vale um cuidado aqui: isso é uma tendência observada na espécie como um todo ao longo de décadas, não uma promessa individual. Qualquer decisão real sobre saúde, longevidade ou tratamento deve passar por profissional, nunca por expectativa criada num livro de divulgação científica.

O Antropoceno: quando a humanidade virou força da natureza

Antropoceno é o nome que cientistas passaram a usar pra descrever uma era em que a principal força que molda o planeta deixou de ser vulcão, meteoro ou ciclo solar e passou a ser a própria atividade humana, do clima ao formato dos rios e das florestas.

Um número costuma chocar quem escuta pela primeira vez: o peso somado dos animais domesticados pela humanidade, como boi e galinha, já supera de longe o peso dos animais selvagens que sobraram soltos por aí, porque a espécie humana passou a decidir, na prática, o que cresce e o que desaparece.

Para Harari, esse poder inédito não veio sozinho: ele trouxe também uma responsabilidade nova, porque uma decisão errada de uso de recurso ou de energia hoje não afeta só uma região isolada, afeta o planeta inteiro ao mesmo tempo.

A centelha humana: cooperar com quem a gente nunca viu

A espécie humana não venceu por ser mais forte ou mais rápida que outros animais. Venceu porque descobriu como cooperar em massa com estranhos, coisa que nenhum outro primata consegue fazer em grande escala, geralmente limitado ao próprio grupo familiar.

Pensa em comprar um produto pela internet de um vendedor que mora do outro lado do país, que a pessoa nunca viu nem vai ver. O pagamento sai, o produto chega, e tudo funciona porque existe um sistema de confiança compartilhado entre milhares de estranhos ao mesmo tempo.

Harari defende que essa capacidade de cooperação em massa não vem de inteligência individual maior, vem da capacidade de criar e acreditar juntos em histórias que ninguém consegue tocar com a mão.

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Sobre Yuval Noah Harari

Depois do sucesso mundial de Sapiens, Harari publicou Homo Deus originalmente em hebraico em 2015, com a edição em inglês chegando em 2016, e o livro também virou fenômeno internacional traduzido em dezenas de idiomas. O autor pratica meditação vipassana todos os dias e costuma dizer que essa disciplina o ajuda a observar a própria mente enquanto escreve. Ele é casado com Itzik Yahav, com quem fundou a Sapienship, empresa dedicada a traduzir temas globais complexos em debate público mais claro. Depois de Homo Deus, Harari ainda escreveu 21 Lições para o Século 21, levando a reflexão sobre tecnologia e sociedade pros desafios mais imediatos do presente.