Da sobrevivência à ambição de virar deus
Durante quase toda a história, a humanidade lutou contra três inimigos fixos: fome, peste e guerra. Harari mostra que, pela primeira vez, essas três ameaças deixaram de ser destino garantido. Hoje, no mundo como um todo, morre mais gente de excesso de comida do que de falta dela, e morre mais gente de velhice e de suicídio do que de violência entre países.
Segundo o autor, quando uma espécie resolve os problemas mais antigos, ela não para de sonhar, ela troca de pauta. A próxima fronteira vira conquistar a morte, garantir felicidade permanente e ampliar as capacidades do corpo e da mente até um patamar que antes só se atribuía à divindade.
É como a família que, depois de quitar as dívidas e garantir aluguel, comida e plano de saúde, começa a sonhar com viagem internacional, procedimento estético ou aposentadoria antecipada. Resolvido o básico, a ambição sobe de nível automaticamente.
Vale um cuidado aqui: isso é uma tendência observada na espécie como um todo ao longo de décadas, não uma promessa individual. Qualquer decisão real sobre saúde, longevidade ou tratamento deve passar por profissional, nunca por expectativa criada num livro de divulgação científica.
