15 minutos
Capa do resumo de Física do Impossível

Ciência · 15 min

Física do Impossível

Michio Kaku · 2008

Para quem é

Pra quem cresceu vendo filme de ficção científica e sempre quis saber o que ali é físico de verdade e o que é liberdade de roteiro. Também serve pra quem gosta de entender como cientista sério separa hipótese testável de especulação, sem precisar decorar fórmula.

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3 ideias pra levar

1

Em 2008, Kaku notava que na robótica o corpo mecânico avançava mais rápido que o bom senso: era mais fácil ensinar um braço a soldar do que ensinar a máquina a perceber que um copo cheio pode virar.

2

Antimatéria é o combustível mais eficiente que a física conhece, só que fabricar um único grama dela hoje consome uma fortuna em energia, muito acima do que qualquer foguete real teria pra gastar numa viagem inteira.

3

Nenhuma patente de moto-perpétuo sobreviveu ao teste da bancada, porque a segunda lei da termodinâmica cobra a conta de energia até hoje sem exceção registrada.

“
O campo de força que já existe de verdade não é parede invisível, é plasma quente preso por ímã, útil pra reator, inútil pra parar bala.
Uma ideia de Física do Impossível, nas palavras do 15 minutos

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Por que separar o impossível em três categorias

Kaku, físico teórico e professor, organiza o livro numa pergunta simples: o que a ficção científica imagina é fantasia pura, ou tecnologia que a humanidade ainda não dominou? Pra responder, ele separa cada ideia em três classes, de acordo com a distância entre o sonho e o que a física atual permite.

A Classe I reúne o que é impossível hoje, mas não contraria nenhuma lei conhecida: campo de força, invisibilidade, arma de raios, teletransporte de partícula, telepatia por leitura cerebral, psicocinese, robô, extraterrestre e OVNI, nave estelar e antimatéria. Segundo o autor, parte disso pode virar tecnologia comum neste século ou no próximo.

A Classe II é mais dura: viagem mais rápida que a luz, viagem no tempo e universo paralelo ficam no limite do que a física permite, e exigiriam engenharia de milhares ou milhões de anos à frente da nossa. Já a Classe III junta moto-perpétuo e precognição, ideias que esbarram direto em leis já bem confirmadas, como a segunda lei da termodinâmica.

Campos de força: mais plasma preso por ímã do que parede mágica

Filme adora um escudo invisível que para tiro no ar. O mais perto que a física chegou disso é o plasma, um gás tão quente que os elétrons se soltam dos átomos, mantido no lugar por campo magnético, como já acontece em reator de fusão experimental.

Esse campo hoje só segura plasma, não bloqueia bala nem pedra. Kaku compara a situação a ter o motor do carro pronto sem ainda ter a lataria nem o freio: a peça central existe em teoria, falta montar o conjunto inteiro, o que pode levar décadas de pesquisa em material.

Invisibilidade: dobrar a luz em vez de apagar o objeto

A invisibilidade de romance é mágica, a de laboratório é engenharia de material. Já existem os chamados metamateriais, estrutura menor que o comprimento de onda da luz, capazes de desviar a luz ao redor de um objeto em vez de deixar ela bater e refletir, parecido com um rio contornando uma pedra sem alterar o curso visto de longe.

A dificuldade, segundo o livro, é fazer isso funcionar pra luz visível inteira e pra um objeto do tamanho de uma pessoa, sem custar uma fortuna nem exigir material fora de escala industrial. É Classe I porque a física permite, falta é a engenharia alcançar o tamanho real.

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Sobre Michio Kaku

Michio Kaku é físico teórico americano, nascido em 1947, professor na City College de Nova York. Ele é um dos cofundadores da teoria de campos de cordas, ramo da física que tenta unificar as forças fundamentais do universo. Fora da academia, se tornou um dos divulgadores científicos mais conhecidos dos Estados Unidos, com programas de rádio e televisão sobre ciência. Física do Impossível, publicado originalmente em 2008, é um dos livros de divulgação científica mais lidos da carreira dele.