Um testemunho contra o apagamento
Primo Levi escreve para tornar compreensível uma experiência organizada para destruir pessoas e apagar seus vestígios. Seu testemunho acompanha a deportação e a sobrevivência em Monowitz, também chamado Buna, integrante do complexo de Auschwitz. O centro do livro não é uma aventura de superação, mas o funcionamento cotidiano da perseguição nazista.
Judeu italiano e químico, Levi foi preso em dezembro de 1943, depois de se juntar a um grupo de resistência antifascista. Passou pelo campo de Fossoli e foi deportado em fevereiro de 1944. A viagem reúne famílias sob condições brutais, enquanto a incerteza impede compreender plenamente o destino que as espera.
Na chegada, uma seleção separa aqueles destinados ao trabalho daqueles encaminhados ao assassinato. Levi sobrevive à primeira triagem, mas isso não representa segurança. Sua narrativa exige distinguir sobrevivência e merecimento: permanecer vivo depende de circunstâncias, ajuda, habilidades aproveitáveis e acaso, não de uma suposta superioridade moral diante de quem morreu ali.
