15 minutos
Capa do resumo de Ainda Estou Aqui

Biografias e memórias · 15 min

Ainda Estou Aqui

Marcelo Rubens Paiva · 2015

Para quem é

Para quem busca uma narrativa brasileira sobre família, memória, ditadura e cuidado. Também interessa a leitores que desejam conhecer Eunice Paiva além de sua ligação com Rubens.

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3 ideias pra levar

1

Uma ausência sem esclarecimento transforma o cotidiano em investigação: além de sentir falta, a família precisa trabalhar para descobrir o que aconteceu.

2

Reconhecer os projetos de uma mãe para além dos filhos pode revelar uma pessoa que a intimidade familiar deixou pouco visível.

3

Quando uma lembrança encontra um documento, o objetivo não precisa ser eliminar a dúvida, mas entender melhor o alcance de cada versão.

“
O cuidado recebido revela sua dimensão quando enxergamos também a vida de quem cuida.
Uma ideia de Ainda Estou Aqui, nas palavras do 15 minutos

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1. Uma presença construída contra o apagamento

Ainda Estou Aqui acompanha uma família atingida pela violência política, mas encontra seu centro na trajetória de Eunice Paiva. Marcelo Rubens Paiva escreve como filho, participante e investigador de uma história incompleta. Sua mãe aparece para além da condição de esposa de um desaparecido: ela pensa, trabalha, transforma relações e envelhece.

O livro aproxima duas experiências diferentes de perda: o desaparecimento do pai, Rubens Paiva, durante a ditadura, e o avanço do Alzheimer da mãe. A aproximação é literária, não uma equivalência entre doença e crime. Em ambas, porém, o narrador enfrenta presenças que deixam de estar disponíveis como antes estavam.

A memória autobiográfica organiza esse percurso sem obedecer a uma linha reta. Recordações da infância convivem com informações descobertas depois e com cenas do envelhecimento materno. Como numa conversa de família que começa no almoço e termina numa caixa de fotografias, cada lembrança abre outra pergunta, em vez de encerrar o assunto.

2. Antes do trauma, uma casa cheia de vida

Para compreender o tamanho da ruptura, precisamos conhecer a vida anterior. Rubens e Eunice tinham cinco filhos e uma rotina marcada por convivência, amigos e projetos. A casa não era apenas cenário de uma futura tragédia nacional. Era um lugar concreto de crescimento, brincadeiras e confiança na continuidade da vida.

Rubens havia sido deputado federal e tivera seu mandato cassado depois do golpe de 1964. Sua atuação política faz parte da história, mas não esgota sua identidade. O filho recupera também o pai próximo e a atmosfera doméstica, impedindo que a figura pública substitua o homem conhecido pelas crianças em casa.

Esse cuidado altera nossa leitura da violência. Antes de discutir instituições, percebemos o que foi interrompido: conversas, proteção, planos e pequenos hábitos. No cotidiano brasileiro, perder alguém também significa encontrar uma cadeira vazia no jantar ou resolver sozinho aquilo que antes era dividido. A dimensão pública nasce dessas experiências particulares.

3. Quando a repressão atravessa a porta

Em janeiro de 1971, Rubens Paiva foi levado de casa por agentes do Estado. Sua prisão desembocou em tortura, morte e ocultação do corpo. O desaparecimento forçado não retirou apenas uma pessoa da convivência familiar: também suprimiu informações essenciais e impôs aos parentes uma busca marcada pela incerteza e pelo medo.

Eunice e a filha Eliana também foram detidas. A repressão alcançou o espaço doméstico e mostrou que o parentesco podia se tornar motivo de intimidação. Para as crianças, faltavam explicações capazes de organizar os acontecimentos. Os adultos precisavam enfrentar perigos reais enquanto tentavam preservar alguma estabilidade para todos da família.

O relato ajuda a distinguir conflito político de violência estatal. Discordar de alguém não autoriza prisão arbitrária, tortura ou desaparecimento. A clandestinidade dessas práticas agravava sua força: quem deveria responder pela custódia negava informações. Era como buscar uma pessoa em repartições sucessivas e descobrir que cada balcão devolvia uma versão incompatível.

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Sobre Marcelo Rubens Paiva

Marcelo Rubens Paiva nasceu em São Paulo, em 1959. É escritor, dramaturgo e jornalista, filho de Eunice e Rubens Paiva. Ficou tetraplégico após um acidente em 1979 e publicou Feliz Ano Velho em 1982. Em Ainda Estou Aqui, lançado em 2015, retorna à história familiar para dar destaque à trajetória da mãe.

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