Quando a palavra vira armadilha
Cultos: A Linguagem Secreta do Fanatismo, da linguista americana Amanda Montell, publicado em 2021, parte de uma pergunta incômoda: como pessoas comuns, inteligentes e com famílias acabam presas a grupos que as exploram ou machucam? A resposta da autora é que muito do trabalho de convencimento acontece pela linguagem, que molda o que é possível pensar e dizer.
O livro não se limita a seitas religiosas famosas. Montell investiga um espectro mais amplo, que vai de grupos de fato abusivos até comunidades de academia, vendas diretas, empresas e redes sociais que usam um vocabulário parecido. Ela chama de cultish, algo como cultesco, a linguagem que cria pertencimento, urgência e devoção.
A proposta é ajudar o leitor a notar esses mecanismos no cotidiano, sem demonizar quem participa. Entender como as palavras funcionam é uma forma de proteção, inclusive para quem já está dentro de um grupo e começa a desconfiar.
