1. Um imperador feito também de imagens
Uma barba parece um detalhe pessoal, mas ganha outro peso quando pertence a um imperador. Lilia Moritz Schwarcz acompanha a construção pública de Pedro II para mostrar como aparência, cerimônias e narrativas participaram do governo. Sua pergunta ultrapassa a personalidade do soberano: como a monarquia apresentava sua autoridade como legítima?
O livro combina história e antropologia para investigar documentos, retratos, festas, objetos e costumes. Não se limita a organizar acontecimentos da vida imperial. Procura entender a dimensão simbólica do poder, isto é, os sentidos que transformam uma pessoa, uma roupa ou um gesto em sinais socialmente reconhecidos de autoridade política.
Pense na diferença entre um chefe chegando de camiseta ao escritório e entrando acompanhado por assessores, diante de uma mesa preparada. Sua competência pode ser idêntica, mas a situação comunica outra posição. A comparação ajuda a perceber o problema investigado, sem igualar uma empresa atual ao sistema do Império brasileiro.
