Um médico que virou detetive dos próprios sonhos
Em 1899, um neurologista de Viena publicou o livro que ele mesmo considerava seu trabalho mais importante, mesmo vendendo pouco de início. Saiu em novembro daquele ano, mas a editora colocou 1900 na folha de rosto, como se quisesse abrir o século novo em vez de fechar o velho. Sigmund Freud não queria só explicar por que sonhamos, queria abrir uma porta pra dentro da mente que ninguém tinha encontrado até então.
O ponto de partida foi pessoal: depois da morte do pai, em 1896, Freud passou a analisar os próprios sonhos noite após noite, anotando cada detalhe ao acordar. Boa parte dos exemplos do livro saiu direto dali, e a ideia central já era radical pra época: sonho não é lixo mental nem mensagem de outro mundo, é produto de um trabalho psíquico com lógica própria, só que escondida atrás de imagens estranhas.
