15 minutos
Capa do resumo de A Coragem de Não Agradar

Desenvolvimento pessoal · 15 min

A Coragem de Não Agradar

Ichiro Kishimi e Fumitake Koga · 2013

Para quem é

Pra quem vive dizendo sim pra não decepcionar ninguém e sente que a própria vida ficou em segundo plano. O livro dá um jeito prático de separar o que é problema seu do que é problema do outro.

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3 ideias pra levar

1

Mudar de vida não depende de entender o passado inteiro, depende de decidir o que fazer com o dia de hoje.

2

Comparar sua vida com a de outra pessoa nas redes sociais mede a distância, nunca o caminho percorrido até ali.

3

Elogiar demais uma criança ou um funcionário ensina a agir pensando no aplauso, não no valor real daquilo que foi feito.

“
Quem termina o que começa aguentou o período chato depois que a novidade passou, não só se empolgou no primeiro mês.
Uma ideia de A Coragem de Não Agradar, nas palavras do 15 minutos

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Por que um livro de filosofia virou fenômeno de autoajuda

Um título que promete a coragem de não agradar soa quase ofensivo numa cultura que valoriza tanto a educação e a cordialidade como a brasileira. A primeira reação de muita gente é pensar que o livro ensina a ser grosseiro, a ignorar sentimento alheio, a virar aquela pessoa difícil que ninguém quer por perto.

Não é isso que o livro propõe. Ele parte da psicologia do médico austríaco Alfred Adler, contemporâneo de Freud, e discute uma ideia simples de enunciar e difícil de praticar: viver preso à opinião dos outros custa a própria liberdade. Não se trata de deixar de ser gentil, trata-se de parar de tomar decisão inteira baseado no medo de decepcionar alguém.

O formato original é um diálogo entre um filósofo e um jovem insatisfeito com a própria vida, mas o que interessa aqui é entender as ideias que sustentam esse argumento, não acompanhar a conversa cena a cena.

A ideia mais radical do livro: seu passado não decide seu presente

Adler discordava de uma parte central da psicanálise de Freud, a ideia de que um trauma do passado explica e determina o comportamento de hoje. Pra Adler, as pessoas não são reféns do que aconteceu, elas escolhem um objetivo no presente e usam a própria história, inclusive o sofrimento, pra justificar esse objetivo.

Um exemplo ajuda a entender sem simplificar demais. Alguém que evita sair de casa depois de um término difícil não fica trancado só por causa do sofrimento vivido, segundo essa leitura, mas porque ficar em casa cumpre uma função agora, evita o risco de sofrer de novo numa relação nova. O sofrimento é real, mas o comportamento de hoje tem um propósito no presente, não só uma causa no passado.

Essa virada, que os estudiosos de Adler chamam de teleologia, muda a pergunta que você faz pra si mesmo. Em vez de perguntar por que você é assim, a pergunta vira pra que serve, hoje, continuar sendo assim. É uma pergunta mais incômoda, porque tira a desculpa pronta, mas também é mais útil, porque aponta pra uma escolha que dá pra fazer agora, sem esperar entender o passado inteiro primeiro.

Separação de tarefas: a ferramenta mais prática do livro

Se tem uma ideia do livro que cabe no bolso e serve pro dia a dia inteiro, é a separação de tarefas. A pergunta que resolve boa parte dos conflitos é simples: de quem é essa tarefa, e quem vai arcar com a consequência dela no fim das contas.

Um pai que se desespera porque o filho adolescente não estuda está, sem perceber, tentando resolver uma tarefa que não é dele. Quem vai arcar com a consequência de não estudar é o próprio filho, mais cedo ou mais tarde. Isso não significa abandonar o filho à própria sorte, significa parar de brigar todo dia por algo que só se resolve quando o filho decide se importar com o próprio resultado.

No trabalho a lógica se repete. Se um colega discorda da sua decisão de pedir demissão pra tentar outra área, a opinião dele sobre essa escolha é tarefa dele, não sua. Você decide com a informação que tem, ele reage do jeito que quiser, e insistir em controlar a reação dele é gastar energia numa tarefa que nunca foi sua.

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Sobre Ichiro Kishimi e Fumitake Koga

Ichiro Kishimi é filósofo japonês, estudioso da obra do psiquiatra austríaco Alfred Adler há décadas, e já havia traduzido e comentado os textos originais de Adler antes de escrever o livro. Fumitake Koga é escritor e roteirista japonês, responsável por transformar essas ideias em formato de diálogo entre um filósofo e um jovem insatisfeito. A Coragem de Não Agradar foi publicado no Japão em 2013 e se tornou um fenômeno editorial na Ásia antes de chegar ao ocidente. Os dois autores lançaram depois uma continuação, aprofundando os mesmos conceitos.