Por que um livro de filosofia virou fenômeno de autoajuda
Um título que promete a coragem de não agradar soa quase ofensivo numa cultura que valoriza tanto a educação e a cordialidade como a brasileira. A primeira reação de muita gente é pensar que o livro ensina a ser grosseiro, a ignorar sentimento alheio, a virar aquela pessoa difícil que ninguém quer por perto.
Não é isso que o livro propõe. Ele parte da psicologia do médico austríaco Alfred Adler, contemporâneo de Freud, e discute uma ideia simples de enunciar e difícil de praticar: viver preso à opinião dos outros custa a própria liberdade. Não se trata de deixar de ser gentil, trata-se de parar de tomar decisão inteira baseado no medo de decepcionar alguém.
O formato original é um diálogo entre um filósofo e um jovem insatisfeito com a própria vida, mas o que interessa aqui é entender as ideias que sustentam esse argumento, não acompanhar a conversa cena a cena.
