A ciência avança quando enterra velhos dogmas
Existe uma crença ingênua de que a ciência avança de maneira linear e pacífica, acumulando tijolos de verdades irrefutáveis sobre um alicerce imutável. O físico Max Planck costumava dizer que uma nova verdade científica não triunfa convencendo seus oponentes, mas sim porque os oponentes morrem e uma nova geração cresce acostumada com a ideia. O verdadeiro obstáculo à descoberta muitas vezes não é a ignorância, mas a teimosia em defender conceitos ultrapassados que parecem óbvios aos olhos da época.
John Brockman, criador do movimento conhecido como terceira cultura, fez a quase duzentos dos maiores cientistas e pensadores do mundo uma pergunta direta e desconfortável: qual ideia científica está madura para a aposentadoria definitiva? As respostas reunidas na obra formam um panorama extraordinário sobre as amarras conceituais que estão travando a física, a biologia, a psicologia e a filosofia contemporâneas.
Descartar uma teoria respeitada não é um ato de desrespeito aos pioneiros do passado, mas a maior homenagem que o método empírico pode prestar à busca da verdade. Para que novas sementes brotem na pesquisa moderna, é indispensável limpar o terreno das raízes secas do pensamento convencional que perderam o contato com a realidade observável.
