15 minutos
Capa do resumo de O Investidor de Bom Senso

Finanças · 15 min

O Investidor de Bom Senso

John C. Bogle · 2007

Para quem é

Pra você que já ouviu falar de investimentos mas se sente perdido entre tantas opções de fundos e dicas de grupo de WhatsApp, e quer entender, em português simples, por que custo e tempo pesam mais do que qualquer palpite de especialista. Um ponto de partida pra quem quer parar de adivinhar e começar a pensar em décadas, não em meses.

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3 ideias pra levar

1

O custo que parece pequeno todo ano vira um buraco enorme depois de vinte, trinta anos, porque ele também é multiplicado pelos juros compostos, só que contra você.

2

Tentar vencer o mercado, no agregado, é uma aposta perdida: para cada um que ganha mais que a média, outro obrigatoriamente fica com menos, e o intermediário ainda tira uma fatia dos dois lados.

3

O maior risco pro dinheiro de muita gente não é o mercado cair, é a pessoa se assustar com a queda e vender justo na hora errada.

“
O jeito mais simples de investir também costuma ser o mais barato, e o mais barato, no longo prazo, costuma vencer.
Uma ideia de O Investidor de Bom Senso, nas palavras do 15 minutos

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O joguinho que a Bolsa parece ser, e não é

Imagina um grupo de amigos que se junta toda sexta pra jogar buraco no boteco, apostando uma rodada de cerveja. No fim da noite, a soma do que cada um ganhou e perdeu bate com zero, tirando o que o dono do bar cobrou pela mesa. É mais ou menos assim que funciona o mercado de ações: antes de qualquer custo, o retorno de todo mundo junto é igual ao retorno médio do mercado.

Bogle parte desse raciocínio simples: se antes dos custos a média de todo mundo é igual à média do mercado, depois dos custos o grupo inteiro tem que ficar com menos do que o mercado rendeu. Alguém paga a conta da mesa, e essa conta sai do bolso de quem joga.

Isso não quer dizer que ninguém consegue um resultado bom investindo. Quer dizer que, coletivamente, é matematicamente impossível todo mundo bater a média ao mesmo tempo, porque a média nasce da soma de todos os jogadores.

A conta que fecha sozinha: gestão ativa contra gestão passiva

Existem, no fundo, dois jeitos de investir em ações. Um é tentar escolher as empresas certas, no momento certo, torcendo pra bater a média do mercado: isso é o que o livro chama de gestão ativa. O outro é aceitar comprar um pedacinho de tudo que existe no mercado, sem tentar adivinhar vencedor, e ficar com a média: isso é gestão passiva.

O argumento central é que, olhando pro conjunto dos investidores que praticam gestão ativa, o resultado médio deles, antes de descontar taxa de administração, tem que ser igual ao do mercado, porque eles são o mercado. Depois de pagar taxas mais altas, esse grupo, somado, fica abaixo da média.

Isso não é opinião sobre quem é mais esperto, é aritmética: quem cobra mais caro pra entregar, em média, o mesmo resultado ou pior está numa desvantagem que nenhuma habilidade individual apaga pro grupo inteiro, mesmo que um gestor se saia bem num período.

Essa lógica se conecta com a ideia de mercado eficiente: a teoria de que o preço de uma ação já reflete rápido quase toda informação disponível sobre ela, tornando raro encontrar informação nova que ninguém mais percebeu.

O nome por trás da ideia: um fundo que só acompanha o mercado, sem apostar

A ferramenta favorita do livro pra colocar a ideia em prática é um tipo de fundo que simplesmente acompanha um índice de mercado, comprando um pedacinho de cada empresa que compõe aquele índice, sem que ninguém dentro do fundo fique escolhendo qual ação vai subir mais.

Esse tipo de produto existe hoje em várias versões, com nomes, taxas e regras diferentes entre instituições, tanto lá fora quanto no Brasil. Este resumo não recomenda qual comprar, nem qual instituição usar: a ideia central do livro é sobre a lógica de custo baixo e amplitude, não sobre um produto específico.

Vale entender a lógica antes de escolher qualquer produto: quanto mais próximo um fundo estiver de simplesmente acompanhar o mercado inteiro, e quanto menor for a taxa cobrada por isso, mais perto ele fica do resultado que este livro defende como ponto de partida razoável pra quem está começando.

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Sobre John C. Bogle

John Bogle fundou o The Vanguard Group na década de 1970 e, em 1976, lançou um dos primeiros fundos de índice abertos ao investidor comum nos Estados Unidos. Formou-se em economia pela Universidade de Princeton em 1951, onde sua monografia de graduação já discutia a indústria de fundos de investimento. Passou a maior parte da carreira à frente da Vanguard, tornando-se um dos críticos mais conhecidos dos altos custos cobrados pelo setor financeiro. Morreu em 2019, aos 89 anos, depois de publicar vários livros sobre investimento de longo prazo.