O velho Hafid, o cofre esperado e um tratador de camelos apaixonado por Lisha
O livro abre com Hafid já em idade avançada e dono de uma fortuna imensa, chamando o contador Erasmus pra distribuir boa parte do que tinha aos pobres da região. Antes disso, porém, ele separa um cofre com dez pergaminhos antigos e avisa que vai guardá lo, esperando que um dia apareça alguém, ele mesmo ainda não sabe quem, pronto pra recebê los. É só depois dessa cena que a história volta décadas no tempo, pra explicar como aquele velho mercador chegou até ali.
Décadas antes, Hafid era apenas um tratador de camelos na caravana de Pathros, o mercador mais rico de Damasco, crescendo na penúria, responsável por cuidar dos animais, carregar água e dormir ao relento, sem posses nem sobrenome que valesse alguma coisa na cidade.
Foi nessa fase que Hafid se apaixonou por Lisha, filha de Calneh, um homem rico e respeitado. Ela pertencia a uma família de posses, e um simples tratador de camelos não tinha status nenhum pra sequer imaginar pedir a mão dela em casamento.
Cansado de esperar por uma sorte que nunca chegava, Hafid tomou coragem e foi pedir a Pathros uma chance, qualquer chance, de mudar de vida antes que a idade e a resignação apagassem de vez a esperança de um dia estar à altura de Lisha. Foi esse pedido, feito por um rapaz sem nada a perder, que abriu a porta pra tudo que vem depois.
