15 minutos
Capa do resumo de Ações Comuns, Lucros Extraordinários

Finanças · 15 min

Ações Comuns, Lucros Extraordinários

Philip A. Fisher · 1958

Para quem é

Pra você que já ouviu falar de ações mas nunca soube como escolher uma empresa pra confiar seu dinheiro no longo prazo, sem virar refém do gráfico do dia a dia. Ações Comuns, Lucros Extraordinários é pra quem prefere entender o negócio por trás do papel a tentar acertar o timing da Bolsa.

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3 ideias pra levar

1

Para Fisher, espalhar pouco dinheiro por muitas ações desconhecidas costuma esconder insegurança na análise, não proteger de verdade o investidor dela.

2

Segundo o livro, dividendo alto demais pode ser sinal de que a diretoria não sabe onde reinvestir o lucro dentro do próprio negócio.

3

Para Fisher, uma gestão que sacrifica investimento importante só pra maquiar o resultado de um único trimestre está comprometendo o crescimento que a empresa poderia ter anos depois.

“
Para Fisher, um preço que sobe essa semana explica muito menos sobre uma empresa do que responder com calma as quinze perguntas do roteiro de Fisher.
Uma ideia de Ações Comuns, Lucros Extraordinários, nas palavras do 15 minutos

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Um analista que decidiu escrever as próprias regras

Philip Fisher começou a carreira como analista de investimentos num período em que comprar ação ainda era, pra boa parte do país, pouco mais do que uma aposta de cassino depois da quebra de 1929. Em 1931, no fundo da Grande Depressão, ele abriu sua própria consultoria de investimentos, decisão que muita gente da época considerou loucura.

O livro que ele publicou quase trinta anos depois, em 1958, nasceu dessa experiência prática, não de uma tese acadêmica. Fisher queria responder uma pergunta simples: como separar, entre milhares de empresas negociadas em bolsa, aquele punhado que vai multiplicar o capital do investidor ao longo de décadas.

A resposta dele foge do que a maioria dos livros de investimento ensinava até então. Em vez de fórmula de calculadora, ele propõe um método de investigação quase jornalística, baseado em conversar com gente que conhece a empresa por dentro e por fora antes de decidir se vale a pena virar sócio dela.

Os quinze pontos: um roteiro antes de qualquer decisão

O coração do livro é uma lista de quinze perguntas que o investidor deveria responder sobre uma empresa antes de comprar uma ação dela. Não é fórmula matemática com nota final, é um roteiro de investigação que cobre desde o potencial de crescimento das vendas até o caráter da diretoria.

Entre os pontos estão coisas como: a empresa tem produtos ou serviços com mercado grande o suficiente pra crescer por muitos anos, o time de pesquisa e desenvolvimento é forte o bastante pra não ficar pra trás da concorrência, e a margem de lucro é boa e sustentada ao longo do tempo.

Outros pontos entram em terreno mais humano: a relação da empresa com os próprios funcionários é saudável, a diretoria tem profundidade suficiente pra continuar funcionando bem se o fundador sair amanhã, e a gestão fala a verdade pro acionista mesmo quando o ano foi ruim.

Fisher não pede que a empresa vá bem em todos os quinze pontos ao mesmo tempo. Pede que o investidor conheça as respostas antes de colocar dinheiro nela, em vez de comprar só porque o preço da ação está subindo essa semana.

Crescer não basta: o motor precisa de combustível pra dez anos

Um erro comum, segundo o livro, é comprar uma ação porque a empresa cresceu bem no último ano. Fisher pede um olhar mais longo: essa empresa tem produto ou mercado com fôlego pra continuar crescendo vendas por cinco, dez anos, ou ela já bateu no teto do que consegue vender?

Isso explica o peso que ele dá à área de pesquisa e desenvolvimento. Uma empresa que não reinveste parte do lucro em criar o produto de amanhã tende a viver de repetir o produto de ontem, até que um concorrente mais ousado tome o espaço dela no mercado.

O contraponto que o próprio livro reconhece é que P&D custa caro, e nem toda aposta em pesquisa vira produto de sucesso. O que Fisher valoriza não é o tamanho do investimento em si, mas a disciplina da empresa em canalizar esse dinheiro pra onde ele tem chance real de virar venda nova.

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Sobre Philip A. Fisher

Philip Arthur Fisher (1907-2004) foi um investidor americano, fundador da consultoria Fisher & Company em 1931, que comandou por mais de seis décadas. Estudou na recém-criada Stanford Graduate School of Business antes de entrar pro mercado financeiro. Escreveu Ações Comuns, Lucros Extraordinários em 1958, seu livro mais lido, além de outras obras sobre investimento em ações de crescimento. Seu filho, Kenneth Fisher, também construiu carreira como investidor e colunista de finanças.