Duas jornalistas que também duvidavam de si
Claire Shipman e Katty Kay tinham carreiras de dar inveja. Uma cobriu política e economia para grandes emissoras americanas, a outra apresentou telejornal internacional. Mesmo assim, as duas contam que viviam com uma voz interna perguntando se mereciam estar ali. Foi esse incômodo que as levou a investigar de onde vem a autoconfiança e por que ela parece tão desigual entre as pessoas.
O livro mistura reportagem e ciência. Elas entrevistaram gente de várias áreas, de militares a atletas, passaram por laboratórios de genética e neurociência e leram estudos de psicologia. O foco principal são as mulheres, mas boa parte das conclusões serve para qualquer pessoa que trava na hora de agir.
A pergunta que organiza tudo é prática: por que gente competente deixa de se candidatar, de falar na reunião ou de propor a ideia, enquanto outros, às vezes menos preparados, avançam sem pedir licença?
A leitura é leve, cheia de histórias e entrevistas, e ao mesmo tempo apresenta pesquisas que ajudam a separar o que é impressão do que tem evidência. Esse equilíbrio explica parte do sucesso do livro.
