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Sangue de Dragão • Volume 3

Libertada em Sangue

Por Rafael Fernandes Vieira • Fantasia Romântica (Dark Romantasy)

Classificação: +18Degustação oficial (Capítulo 1)

Sinopse

A hora do acerto de contas final chegou aos reinos divididos. As muralhas ancestrais caíram, os dragões acordaram de seu longo sono e a tirania da Inquisição ameaça queimar o mundo conhecido em cinzas. Wren Calder ergue-se como a líder natural que nunca pediu para ser, ostentando o Sangue Antigo como estandarte de liberdade para os oprimidos. Contudo, comandar rebeldes e feras místicas exige concessões dolorosas, e o custo de cada batalha começa a cobrar um preço alto demais de sua própria alma.

Com Darius Renwick marchando na vanguarda da resistência, o vínculo forçado entre os dois se consolida como uma força inabalável, provando que nenhum juramento militar é maior do que a paixão que os une. Para libertar definitivamente a terra dos tiranos, Wren terá que voar rumo ao coração da capital imperial e enfrentar o monarca usurpador em um duelo épico de fogo e sangue. O encerramento magistral da trilogia Sangue de Dragão entrega batalhas monumentais e um desfecho emocionante de tirar o fôlego.

Destaques desta leitura

  • ✦Batalhas aéreas grandiosas que decidem o destino de impérios inteiros.
  • ✦Conclusão catártica com heroísmo, sacrifício e redenção inesquecíveis.
  • ✦Fechamento perfeito para quem ama romantasy repleto de ação e intensidade.

Áudio oficial da amostra

Ouça o Capítulo 1 — O Fio Que Ainda Pulsa

Narração oficial com voz Thalita • Masterizada a -14 LUFS • Sem autoplay

Texto integral da amostra

Capítulo 1 — O Fio Que Ainda Pulsa

Degustação oficial autorizada • Obra integral disponível na Amazon

A adaga de Elira tremia no ar entre os dois irmãos havia tempo demais pra ainda ser só reflexo — Renwick via isso, mesmo com o próprio coração martelando alto o bastante pra abafar quase todo o resto do mundo. A lâmina subia, descia um dedo, subia de novo, como se duas mãos disputassem o mesmo pulso, e ele sabia, com uma certeza que doía mais do que qualquer ferimento físico já tinha doído, que a mão que ainda vencia aquela disputa não era inteiramente da irmã que ele conhecera. — Elira — disse ele outra vez, a voz baixa, controlada só na superfície. — Olha pra mim. Não pra ele. Pra mim. — Eu estou olhando — sussurrou ela, e havia duas vozes dentro daquela única frase, uma rachando de terror, a outra lisa demais, ensaiada demais, do jeito que uma ordem decorada sai da boca de alguém que já não escolhe mais as próprias palavras. — Eu sempre estive olhando, Darius. Foi isso que ele usou. Cada memória de você que eu tinha guardada, ele transformou em corda pra me puxar de volta quando eu tentava resistir. Atrás dele, longe demais pro som chegar claro, um rugido de dor cortou o ar do pátio principal — Vaelroth, ele sabia sem precisar ver, as correntes potencializadas comendo a escama dele por dentro. Cada fibra do corpo de Renwick gritava pra correr até lá, e cada fibra continuava presa ali, diante da única outra pessoa no mundo que ele tinha jurado, aos catorze anos, nunca mais abandonar. — Eu não vou lutar contra você — disse ele, e para provar a própria frase largou os braços ao lado do corpo, as palmas abertas, o peito completamente exposto pra lâmina que ainda tremia entre os dois. — Nem que isso signifique morrer aqui. Eu já fiz essa escolha uma vez, há oito anos, quando fiquei parado e deixei levarem você. Não vou fazer de novo. — Você não entende — a voz mecânica ganhava força de novo, o corpo dela endireitando contra a própria vontade, os olhos perdendo o brilho molhado de segundos atrás. — Se eu não terminar isso, ele vai saber. Ele sempre sabe. E vai fazer pior do que qualquer coisa que essa lâmina poderia fazer em você. — Então deixa ele fazer — disse Renwick, dando um passo à frente em vez de recuar, a distância entre a própria garganta e a ponta da adaga encurtando até quase nada. — Deixa ele descobrir que a irmã dele não é ferramenta nenhuma. Que ela lutou contra o comando até o último segundo, mesmo sem conseguir vencer sozinha. Eu vi você fazer isso agora mesmo, Elira. Eu vi. Alguma coisa quebrou no rosto dela — não de vez, não completamente, mas o bastante pra que a mão que segurava a adaga começasse a tremer de um jeito novo, um tremor que vinha de dentro em vez de vir do comando externo. — Eu lembro do café da manhã — disse ela, a voz própria vencendo por um segundo inteiro. — Eu lembro de rir de alguma coisa boba que você disse, bem antes de tudo isso. Eu quero lembrar disso pra sempre, Darius, não o resto. — Então lembra — disse ele, aproximando a mão devagar, sem pressa nenhuma, até fechar os dedos ao redor do pulso dela, não pra imobilizar, só pra segurar. — Fica comigo nessa memória. Deixa a lâmina cair. Por um instante que pareceu não ter fim, nada se moveu. Depois, com um som pequeno e terrível — um soluço que era, ao mesmo tempo, alívio e derrota —, a adaga escorregou dos dedos de Elira e caiu na pedra do corredor, o metal batendo com um eco que parecia maior do que qualquer coisa daquele tamanho devia soar. Ela desabou nos braços dele, o corpo inteiro sacudindo de um choro que vinha de oito anos guardados fundo demais pra qualquer palavra alcançar, e Renwick a segurou com a mesma força desesperada com que teria segurado uma promessa cumprida tarde demais mas ainda a tempo. Foi Isadora quem apareceu correndo do outro lado do corredor, o rosto marcado de fuligem e de um pânico que ela raramente deixava transparecer. — Renwick! — gritou ela, parando abruptamente ao ver os dois no chão, a adaga caída, nenhum sangue à vista. — Graças aos deuses. Precisamos de você agora, os dois, é a Wren. — O que aconteceu — a voz dele saiu rasgada, o corpo já se movendo antes mesmo da mente processar a pergunta completa. — Ela caiu do dragão. Não está acordando. Crowe está lá, mandando trazer correntes novas pra ela, e Marr sozinha não vai segurar aquele círculo de guardas por muito mais tempo. Renwick ergueu Elira pelo braço, a irmã fraca demais pra andar sozinha mas consciente o bastante pra tentar, e trocou um olhar rápido com Isadora que carregava tudo que os dois não tinham tempo de dizer em voz alta: que salvar uma pessoa naquela noite não significava, de jeito nenhum, que todas as outras estavam salvas. — Corre na frente — disse ele. — Eu levo ela. Nós dois chegamos. Enquanto corriam, Elira apoiada no braço dele, Renwick sentiu o próprio corpo dividido entre dois pesos que nenhum treino de Skarrow jamais tinha preparado ele pra carregar ao mesmo tempo — o alívio cru de ter a irmã de volta, ainda que fragmentada, e o terror de que talvez chegasse tarde demais pra salvar a mulher que tinha se tornado, sem que ele nunca escolhesse conscientemente aquilo, o centro de tudo que ainda fazia sentido no próprio mundo. — Ela vai ficar bem — disse Isadora, ofegante, correndo ao lado dele com a mesma urgência estampada no rosto. — Wren já sobreviveu a coisa pior do que uma queda, Renwick. Ela vai aguentar até a gente chegar. — E se não aguentar? — a pergunta escapou dele antes que conseguisse contê-la, a voz rachando de um jeito que ele raramente permitia em público. — Então a gente vai carregar ela pra fora mesmo assim, e vai lutar até o último fôlego pra manter ela viva depois — respondeu Isadora, sem hesitar, a determinação na própria voz servindo, por um instante, de âncora pro próprio pânico dele. — Isso não é opção. É o único caminho que existe agora. E os três correram, cada passo levando-os mais perto do pátio principal onde Wren jazia imóvel na pedra fria, onde Vaelroth sangrava sob correntes que nenhuma criatura viva deveria sobreviver, e onde Thalen Crowe, entre a fumaça de uma cidade inteira em chamas, já dava as primeiras ordens pra garantir que aquela noite terminasse exatamente do jeito que ele sempre soubera que terminaria.

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A história completa continua no volume integral de “Libertada em Sangue”.