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Sangue de Dragão • Volume 2

Acorrentada em Sangue

Por Rafael Fernandes Vieira • Fantasia Romântica (Dark Romantasy)

Classificação: +18Degustação oficial (Capítulo 1)

Sinopse

Após o ataque devastador que abalou a Cidadela de Skarrow, Wren Calder não é mais uma simples recruta assustada. Agora com seu segredo exposto a aliados e inimigos, ela é transferida sob custódia para o Bastião de Vaerdon, uma fortaleza impenetrável encravada nas montanhas geladas do norte. Com novos limites impostos ao seu dragão e correntes mágicas que ameaçam sufocar sua ligação vital com a criatura, Wren precisa aprender a navegar pelos jogos cruéis da corte imperial, onde cada sorriso mascara uma lâmina envenenada.

Ao lado de Darius Renwick, cuja lealdade ao império é testada pelo sentimento proibido que nutre por ela, Wren descobre que o Bastião abriga arquivos proibidos sobre as origens do Sangue Antigo. Conforme rebeliões explodem pelas províncias vizinhas e experimentos sinistros com feras ameaçam romper as defesas do reino, a jovem guerreira terá que quebrar suas próprias amarras. Uma jornada arrebatadora de sobrevivência, vingança e paixão vulcânica em um universo de fantasia sombria inesquecível.

Destaques desta leitura

  • ✦Expansão épica do mundo fantástico com intrigas palacianas e montanhas geladas.
  • ✦Vínculo profundo e emocionante entre a cavaleira e sua fera indomável.
  • ✦Tensão psicológica e romântica em constante crescendo sob vigilância severa.

Áudio oficial da amostra

Ouça o Capítulo 1 — As Profundezas do Bastião

Narração oficial com voz Thalita • Masterizada a -14 LUFS • Sem autoplay

Texto integral da amostra

Capítulo 1 — As Profundezas do Bastião

Degustação oficial autorizada • Obra integral disponível na Amazon

A carroça blindada levou três dias pra atravessar a distância entre Skarrow e Vaerdon, e em nenhum desses três dias Wren Calder conseguiu dormir mais do que fragmentos curtos demais pra contar como descanso de verdade. Não era só o balanço da estrada, nem o desconforto das correntes de metal negro que mantinham os pulsos dela presos um ao outro com um peso frio que parecia crescer a cada hora. Era o vínculo. Wren passava a maior parte do trajeto de olhos fechados, tentando segurar o fio que ainda a ligava a Vaelroth, sentindo-o ficar mais fino a cada légua que a carroça percorria, como uma corda esticada até quase o ponto de romper e mantida inteira só por pura teimosia dos dois lados. Nos primeiros dias ela ainda sentia fragmentos claros dele — a fúria constante, o cheiro de metal quente das correntes reforçadas em volta das garras dele, o eco abafado de um rugido que nunca parava de verdade. No terceiro dia, o que sobrava já era quase só um calor distante, uma presença que ela precisava se concentrar demais pra confirmar que ainda existia. Eu prometi que voltava, pensou ela, pela centésima vez, olhando pra fresta estreita na lateral da carroça por onde só cabia um triângulo pequeno de céu cinzento. Eu prometo de novo. Vaerdon apareceu no horizonte no fim do terceiro dia — uma cidade que Wren nunca tinha visto de perto, mas que reconheceu de longe pelas descrições que a própria mãe fizera, anos atrás, num sussurro de aviso que na época soara como história de ninar assustadora demais pra ser real. As muralhas eram altas e cinzentas, sem o calor alaranjado que definia Skarrow, sem nenhuma torre em espiral — só pedra reta, ângulos rígidos, o tipo de arquitetura desenhada pra intimidar em vez de impressionar. No centro da cidade, mais alta que qualquer outro prédio à volta, erguia-se uma estrutura de ferro escuro que parecia ter sido construída pra nunca deixar entrar luz nenhuma: o Bastião de Ferro, sede da Inquisição da Coroa havia gerações. A carroça passou por um portão secundário, longe dos olhos do público, e Wren foi arrastada pra dentro por dois guardas que não trocaram uma única palavra com ela durante todo o trajeto — só ordens curtas, empurrões medidos, o profissionalismo frio de quem processava prisioneiros como aquela quase toda semana e já tinha perdido qualquer curiosidade a respeito. Ela não tinha comido de verdade desde a manhã do segundo dia de viagem, o estômago vazio virando um nó permanente que competia com o medo pela atenção do próprio corpo, e as pernas dela tremiam de fraqueza a cada passo que os guardas a forçavam a dar mais rápido do que ela conseguia sustentar. Ainda assim, ela manteve o queixo erguido — não porque sentisse coragem de verdade, mas porque tinha aprendido, na última semana inteira dentro daquela carroça balançando, que baixar a cabeça primeiro era uma rendição que ela ainda não estava pronta pra fazer. Eu prometi que voltava, repetiu ela mentalmente, como uma oração pequena demais pra qualquer deus ouvir, mas grande o bastante pra segurar o resto dela inteira. Eu prometo de novo, a cada passo. O corredor que levava até as celas descia em espiral, cada volta mais funda do que a anterior, o ar ficando mais pesado e mais frio conforme desciam, até que a luz do dia desapareceu por completo e sobrou só o brilho fraco de tochas presas em suportes de ferro espaçados demais pra iluminar de verdade qualquer coisa entre elas. Wren contou as voltas no início — sete, oito, nove — tentando manter algum controle sobre o próprio corpo através do simples ato de contar, mas desistiu por volta da décima segunda, quando o cheiro de pedra molhada e ferrugem antiga ficou forte demais pra permitir qualquer pensamento que não fosse puro instinto de sobrevivência. De vez em quando, um som distante ecoava por algum corredor lateral — um gemido baixo, o arrastar de correntes, uma vez o que parecia ser um choro abafado rapidamente silenciado — e cada um desses sons se gravava dentro dela como mais uma peça do quebra-cabeça horrível que era aquele lugar. — Cela onze — disse um dos guardas, empurrando-a pra dentro de um espaço pequeno de pedra nua, com um catre fino, um balde no canto, e uma única fresta alta demais pra alcançar que devia, em teoria, deixar entrar um pouco de ar. As correntes só foram removidas dos pulsos dela depois que a porta de ferro se fechou, substituídas por um bracelete mais fino, também de metal negro, que continuou ali, apertado o suficiente pra doer se ela tentasse esticar demais o próprio braço. — Isso é pra quê? — perguntou Wren, erguendo o pulso. — Pra garantir que a senhorita não faça nada bonito enquanto espera — respondeu o guarda, sem nenhuma malícia na voz, só o tédio de quem repetia a mesma frase pra cada prisioneira nova. — Amanhã alguém vem te explicar as regras. Hoje, descansa. Ele foi embora, os passos ecoando corredor acima até sumirem de vez, deixando Wren sozinha na escuridão quase completa, tentando entender, pela primeira vez desde a captura, o tamanho real do lugar onde tinha sido jogada. Foi só depois de um tempo longo, sentada no catre fino com os joelhos abraçados contra o peito, que ela percebeu não estar tão sozinha quanto parecia. Do outro lado de uma parede de pedra grossa, uma voz baixa e rouca falou, quase num sussurro, o tipo de voz que tinha aprendido havia muito tempo a nunca soar mais alta do que o estritamente necessário. — Você é nova. Wren se encostou na parede fria, o coração acelerando de um jeito que ela não soube explicar direito. — Sou. — Não fala com os guardas mais do que precisa — disse a voz. — Não fala com ninguém que vier te visitar sozinho, mesmo que pareça gentil. Principalmente se parecer gentil. — Por quê? Houve um silêncio longo demais antes da resposta, o tipo de pausa que carregava mais peso do que qualquer palavra poderia carregar. — Porque foi assim que a última garota dessa cela desapareceu — disse a voz, finalmente. — Achou que tinha encontrado alguém gentil aqui dentro. Descobriu tarde demais que gentileza, nesse lugar, é só outra ferramenta. — Como você sabe disso? — perguntou Wren, a curiosidade vencendo brevemente o medo. — Você a conheceu? — Eu ouvi ela chorar por três noites, e depois eu não ouvi mais nada — respondeu a voz, sem nenhuma emoção visível, como se contar aquilo pela centésima vez tivesse gasto qualquer capacidade de sentir que ainda restava. — Não sei se ela morreu, ou se só a levaram pra outro lugar pior. Aqui dentro, depois de um tempo, as duas coisas começam a parecer quase a mesma coisa. Ela pensou em Senna, na amizade fácil demais que tinha nascido no primeiro dormitório de Skarrow, e sentiu, mesmo sem saber ainda a verdade completa sobre a colega, uma saudade tão aguda que quase doía fisicamente. Pensou também em Renwick, perguntando-se, sem nenhuma certeza real, se ele já sabia que ela tinha sido presa, se estava fazendo alguma coisa a respeito, ou se o silêncio ao redor dela significava que o mundo lá fora simplesmente tinha seguido em frente sem ela. — Qual é o seu nome? — perguntou Wren, precisando, de repente, de alguma coisa que soasse como conexão humana em vez de puro aviso de perigo. Houve uma pausa longa antes da resposta, o tipo de hesitação de alguém que já não tinha certeza se o próprio nome ainda significava alguma coisa depois de tanto tempo sem ninguém usá-lo. — Isso pode esperar — disse a voz, finalmente. — Durma, se conseguir. Amanhã você vai precisar de cada gota de força que ainda tiver guardada. Wren fechou os olhos, sentindo o fio fraco do vínculo com Vaelroth pulsar uma vez, longe, quase inteiramente apagado pela distância e pelo peso do metal negro em volta do próprio pulso, e pensou, com um frio que não tinha nada a ver com a temperatura da cela, que talvez as próximas semanas fossem mais perigosas do que qualquer batalha que já tivesse enfrentado no céu sobre Skarrow. Do lado de fora daquela parede, muito mais fundo no complexo do que Wren ainda podia imaginar, outra prisioneira — mantida ali havia anos demais pra contar sem chorar — ouviu os guardas comentarem sobre a chegada de uma nova Portadora de Sangue, e sentiu, pela primeira vez em muito tempo, alguma coisa que quase doía o suficiente pra se chamar de esperança.

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A história completa continua no volume integral de “Acorrentada em Sangue”.